07/05/2019

Papa Francisco pede aos católicos da Bulgária que sejam construtores de esperança

por acidigital

 O Papa Francisco se reuniu com membros da comunidade católica da Bulgária, na Igreja de São Miguel Arcanjo, em Rakovski, e lhes pediu que sejam otimistas, “para criar esperança”, e amar, “para abrir caminhos de Ressurreição para todos”. “Quem ama, não perde tempo em lamentos, mas procura sempre algo de concreto que possa fazer… Como disse o […]

 O Papa Francisco se reuniu com membros da comunidade católica da Bulgária, na Igreja de São Miguel Arcanjo, em Rakovski, e lhes pediu que sejam otimistas, “para criar esperança”, e amar, “para abrir caminhos de Ressurreição para todos”.

“Quem ama, não perde tempo em lamentos, mas procura sempre algo de concreto que possa fazer… Como disse o Papa João, ‘nunca conheci um pessimista que tenha concluído algo de bom’. O Senhor é o primeiro a não ser pessimista e procura continuamente abrir, para todos nós, caminhos de Ressurreição. O Senhor é um otimista incurável. Sempre tenta pensar bem de nós, levar-nos adiante, apostar em nós”, destacou o Papa.

Ao chegar, o Santo padre foi recebido por duas meninas vestidas com trajes tradicionais, as quais lhe presentearam com um pão típico. Depois, junto com o pároco e o vice-pároco, o Pontífice entrou na igreja onde estavam um quadro e as relíquias de São João XXIII, diante dos quais deixou um buquê de flores brancas e amarelas, beijou o relicário e rezou em silêncio.

No início do encontro, o Bispo de Sófia e Plovdiv, Dom Gheorghi Ivanov Jovčev, fez uma saudação; depois, houve o testemunho de uma religiosa, um sacerdote e uma família. Um grupo de jovens pertencentes a um movimento laical também apresentou uma dança.

Em seguida, o Papa pronunciou um discurso no qual agradeceu àqueles que deram seu testemunho, porque o ajudaram “a compreender um pouco mais o motivo pelo qual esta terra foi tão amada e significativa para São João XXIII, onde o Senhor estava a preparar algo que haveria de ser um passo importante no nosso caminho eclesial”. “No vosso meio, germinou uma forte amizade com os irmãos ortodoxos e isso impeliu-o por uma estrada capaz de gerar a tão suspirada e frágil fraternidade entre as pessoas e as comunidades”, explicou o Pontífice.

Neste sentido, ressaltou que o ‘Papa bom’ soube “sintonizar de tal modo o seu coração com o Senhor, que pôde dizer que não estava de acordo com as pessoas que ao redor de si mesmas só viam mal, chamando-as profetas da desgraça”.

“Segundo ele, era preciso ter confiança na Providência, que nos acompanha continuamente e, no meio das adversidades, é capaz de realizar desígnios superiores e inesperados”, lembrou Francisco, citando o discurso de abertura do Concílio Vaticano II de São João XXIII.

Por isso, o Papa explicou que os “homens de Deus são aqueles que aprenderam a ver, confiar, descobrir e deixar-se guiar pela força da ressurreição. Reconhecem – é verdade! – que existem situações ou momentos dolorosos e particularmente injustos, mas não ficam ociosos, assustados ou, pior ainda, alimentando um clima de incredulidade, mal-estar ou aborrecimento, porque isto nada mais faz do que prejudicar a alma, debilitando a esperança e impedindo qualquer solução possível”.

“Os homens e as mulheres de Deus são aqueles que têm a coragem de dar o primeiro passo e, com criatividade, procuram colocar-se na linha da frente, testemunhando que o Amor não está morto, mas venceu todos os obstáculos. Arriscam, pois aprenderam que, em Jesus, arriscou o próprio Deus. Arriscou a própria carne, para que ninguém pudesse sentir-se sozinho ou abandonado”, afirmou o Papa.

Neste sentido, o Santo Padre sublinhou que “esta é a beleza da nossa fé”, porque “Deus se arrisca, fazendo-se um de nós”. Por isso, o Papa recordou a visita ao campo de refugiados de Vrazhedebna, para incentivar o amor sem distinção. “Para amar alguém, não é preciso pedir-lhe o seu currículo; o amor precede, antecipa-se. Por que? Porque é gratuito”.

O Papa destacou que neste Centro da Cáritas “são muitos os cristãos que aprenderam a ver com os próprios olhos do Senhor, o Qual não se detém nos adjetivos, mas procura e atende a cada um com olhar de Pai”, por isso os incentivou a passarem da cultura do adjetivo à cultura do substantivo, assim como também evitar as fofocas.

“Ver com os olhos da fé convida-nos a passar a vida, não colando etiquetas nem classificando quem é digno de amor e quem não o é, mas procurando criar as condições para que cada pessoa possa sentir-se amada, sobretudo quem se sente esquecido por Deus porque é esquecido pelos seus irmãos”, expressou.

Além disso, o Santo Padre destacou a beleza das comunidades quando lembram um “canteiro de obras de esperança”, porque “otimista é um homem ou uma mulher que cria a comunidade esperança”. Por isso, incentivou a ter paróquias “otimistas que ajudam a seguir adiante”.

Por outro lado, o Pontífice destacou a importância de que as comunidades eclesiais sejam vivas, um modelo da Igreja mãe. “O que Deus quer é uma comunidade viva que apoia, acompanha, integra e enriquece. Nunca separados, mas unidos é que cada um aprende a ser sinal e bênção de Deus para os outros”, assinalou.

Neste sentido, o Papa propôs o modelo de “Igreja-família-comunidade que se ocupa dos nós da vida, tratando-se muitas vezes de grandes emaranhados e, antes mesmo de os desfazer, assume-os, ocupa-se deles e ama-os”.

“Assim faz uma mãe, quando vê um filho, uma filha em dificuldade, não os condena. Toma as dificuldades, esses nós, em suas mãos, os faz seus e resolve. Assim é nossa mãe Igreja, assim devemos olhar para ela, é a mãe que nos aceita como somos, com nossas dificuldades, nossos pecados, é mãe, sempre sabe consertar as coisas. Não lhes parece lindo ter uma mãe assim?”, perguntou.

Por esta razão, Francisco exclamou: “Não se afastem da Igreja. Se você se afastar, perderá a memória da maternidade da Igreja e começará a pensar mal de sua mãe Igreja”. E incentivou a ser uma “Igreja de portas abertas” sob o modelo dos Santos Cirilo e Metódio, que foram homens “santos e com grandes sonhos” e que “convenceram-se de que a forma mais autêntica para falar com Deus era fazê-lo na sua própria língua. Isto deu-lhes a audácia necessária para se decidirem a traduzir a Bíblia, a fim de ninguém ficar privado da Palavra que dá vida”.

“Ser uma casa com as portas abertas, na esteira de Cirilo e Metódio, requer também saber ser audazes e criativos interrogando-se como será possível traduzir, de maneira concreta e compreensível para as gerações jovens, o amor que Deus tem por nós”, disse o Papa , que pediu para não ter medo de “aceitar novos desafios, desde que nos esforcemos com todos os meios por fazer com que o nosso povo não fique privado da luz e consolação que brotam da amizade com Jesus”.

“Não esqueçamos que as páginas mais belas da vida da Igreja foram escritas quando, com criatividade, o Povo de Deus se colocava em movimento procurando traduzir o amor de Deus em cada momento da história, com os desafios que pouco a pouco ia encontrando”, explicou.

Por fim, o Santo Padre fez este pedido especial: “Não vos canseis de ser uma Igreja que continua a gerar, por entre contradições, amarguras e necessidades, os filhos de que esta terra precisa hoje, nos começos do século XXI, mantendo um ouvido atento ao Evangelho, e o outro ao coração do vosso povo”.

Ao concluir, o Santo Padre concedeu a bênção “pensando no Papa João”. “Gostaria que a bênção, que agora vos dou, seja uma carícia do Senhor para cada um de vós. Ele havia dado esta bênção com o desejo de que fosse uma carícia, a bênção que concedeu à luz da lua. Rezemos juntos, rezemos à Virgem que é a imagem da Igreja”.

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