24/10/2021

Papa reza por migrantes e refugiados na Líbia: “ouço seus gritos”

Apelo do Papa por situação na Líbia ressoa forte após barcos serem vistos à deriva no Mediterrâneo com 68 pessoas a bordo

Da Redação, com Boletim da Santa Sé e Vatican News

“Nunca esqueço de vocês, ouço o seu grito e rezo por vocês”. Com essas palavras de proximidade, o Papa Francisco se dirigiu a milhares de migrantes, refugiados e necessitados de proteção na Líbia. A oração foi após o Angelus deste domingo, 24.

O Papa recordou que muitos desses homens, mulheres e crianças são submetidos a uma violência desumana. E reiterou o apelo à comunidade internacional para que se busque uma solução comum, concreta e durável para o fluxo migratório na Líbia e em todo o Mediterrâneo.

“Quanto sofrem aqueles que são mandados de volta! Lá existem verdadeiros campos de concentração. É preciso por um fim com o retorno dos migrantes a países inseguros e dar prioridade ao resgate de vidas humanas no mar com dispositivos de resgate e desembarque previsíveis, garantir a eles condições de vida dignas alternativas à detenção, percursos regulares de migração e acesso aos procedimentos de asilo”.

Por fim, o Santo Padre concluiu com um pedido de oração. “Sintamo-nos todos responsáveis por estes nossos irmãos e irmãs, que há tantos anos são vítimas desta gravíssima situação. Rezemos juntos por eles em silêncio”.

Barcos à deriva

O apelo de Francisco foi feito poucas horas após barcos serem vistos à deriva no Mediterrâneo na manhã deste domingo. Barcos “em fuga” do país do Norte da África, como relata o portal Vatican News. A bordo, 68 pessoas, incluindo muitas crianças, segundo a Alarm Phone, serviço telefônico para migrantes em dificuldade no mar. Foi pedida uma intervenção urgente e dado o alarme para que a recente tragédia do bote semi-afundado com 60 migrantes a bordo não se repita.

No sábado, 23, o convite da ACNUR, a Agência da ONU para os Refugiados, ao governo da Líbia para responder à situação desesperadora dos requerentes de asilo e refugiados de uma forma que respeite a dignidade e os direitos humanos.

As batidas e prisões arbitrárias realizadas recentemente pelas autoridades líbias em áreas habitadas principalmente por refugiados e requerentes de asilo causaram de fato inúmeras mortes e levaram milhares de pessoas à detenção, muitas perderam suas casas ou estão agora reduzidas à pobreza.

“Desde o início das batidas e prisões conduzidas pelas autoridades líbias em outubro por razões de segurança, vimos uma deterioração drástica na situação dos requerentes de asilo e refugiados vulneráveis em Trípoli”, disse Vincent Cochetel, enviado especial da ACNUR para o oeste e Mediterrâneo central. “É necessário que as autoridades líbias elaborem um plano eficaz que respeite seus direitos e identifique soluções duradouras”.

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