12/09/2021

Eucaristia: Amor crucificado e doado, diz Papa em Missa em Budapeste

Papa presidiu Missa em Budapeste no encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional

Jéssica Marçal
Da Redação

“E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Essa pergunta de Jesus aos discípulos foi o ponto de partida da homilia do Papa Francisco neste domingo, 12, na Missa de encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional. Esta é a primeira etapa da 34ᵃ viagem apostólica internacional de seu pontificado, que também inclui uma visita à Eslováquia.

Segundo Francisco, da resposta a essa pergunta, que hoje se dirige a cada um, nasce a renovação do discipulado. Essa renovação se realiza em três passagens: o anúncio de Jesus, o discernimento com Jesus e o caminho atrás de Jesus.

Após a resposta de Pedro – “Tu és o Messias”, Jesus ordena que os discípulos não dissessem isso a ninguém. Francisco explicou que a resposta de Pedro é exata, mas incompleta. Sempre existe o risco de anunciar um falso messianismo: aquele segundo os homens, não segundo Deus. E por isso mesmo Jesus começou a revelar sua identidade, que está expressa na Eucaristia. Jesus fala da glória da ressurreição, mas passando pela humilhação da cruz.

“Diante de nós está a Eucaristia, para nos recordar quem é Deus; não o faz com palavras, mas de modo concreto, mostrando-nos Deus como Pão partido, como Amor crucificado e doado. Podemos acrescentar muitas cerimônias, mas o Senhor permanece ali na simplicidade dum Pão que se deixa partir, distribuir e comer. Para nos salvar, faz-Se servo; para nos dar vida, morre. Faz-nos bem deixar-nos surpreender pelo anúncio de Jesus”.

O discernimento com Jesus

Diante do anúncio feito por Jesus – a cruz, a perspectiva do sofrimento – a reação de Pedro é tipicamente humana, destacou o Papa: a revolta. “A cruz nunca está na moda: ontem, como hoje. Mas cura por dentro”, disse o Pontífice.

Pedro se escandalizou com as palavras de Jesus e começou a repreendê-Lo. O Papa explicou que isso pode acontecer também hoje, com cada um. É a atitude de querer colocar Jesus num canto do coração, considerando-se uma pessoa religiosa e boa, mas que segue por seu caminho sem se deixar conquistar pela lógica de Jesus.

Francisco enfatizou a diferença crucial que existe entre o Deus verdadeiro e o deus que é o “nosso eu”. O Deus verdadeiro reina silenciosamente na cruz, já o falso é o que as pessoas gostariam de ver reinar pela força.

“Jesus sacode-nos, não se contenta com declarações de fé, pede-nos que purifiquemos a nossa religiosidade diante da sua cruz, diante da Eucaristia. Faz-nos bem permanecer em adoração diante da Eucaristia, para contemplarmos a fragilidade de Deus. Dediquemos tempo à adoração”, pediu o Santo Padre.

Atrás de Jesus: percorrer o caminho do Mestre

Já na conclusão da homilia, o Papa enfatizou que o caminho cristão não é uma corrida ao sucesso, mas começa com um passo atrás, com o retirar-se do centro da vida. E isso porque caminhar atrás de Jesus é seguir com a confiança de ser filho amado de Deus; é servir, não ser servido; é ir ao encontro do irmão. E a Eucaristia leva a sentir-se um só Corpo, a fazer-se em pedaço para o outro, acrescentou Francisco.

O Santo Padre recordou os exemplos de Santo Estêvão e Santa Isabel. Pediu que, como eles, os fiéis não se resignem com uma fé que vive de ritos e repetições, mas se abram à novidade escandalosa de Deus crucificado e ressuscitado.

“Ponto de chegada dum percurso, oxalá este Congresso Eucarístico seja sobretudo um ponto de partida. Pois o caminho atrás de Jesus convida a olhar para a frente, a acolher a viragem da graça, a fazer reviver em nós cada dia aquela pergunta que o Senhor, como em Cesareia de Filipe, nos dirige a nós, seus discípulos: E vós, quem dizeis que Eu sou?”, concluiu.

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