21/03/2018

A preparação para uma grande festa

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Pensemos na Páscoa como uma grande festa de casamento e que você, caro leitor, foi convidado para preparar essa festa cujos preparativos deverão ser feitos tendo em vista esse momento máximo e único na vida dos noivos, que é a celebração do seu amor.

 

A Quaresma é o tempo litúrgico que precede o período da Semana Santa, ocasião esta que celebramos a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor. É, portanto o tempo favorável (cf. 2Cor 6,2) que a Igreja nos oferece para que possamos preparar o nosso coração e assim podermos ressuscitar com Cristo para uma vida nova.

Pensemos na Páscoa como uma grande festa de casamento e que você, caro leitor, foi convidado para preparar essa festa cujos preparativos deverão ser feitos tendo em vista esse momento máximo e único na vida dos noivos, que é a celebração do seu amor. Devo adiantar que você terá muito trabalho. Será necessário escolher e preparar o ambiente da festa, os convites, os trajes, a decoração, a liturgia, os músicos, a recepção, o que será servido, etc. É necessário que você pense em tudo, até mesmo nos pequenos detalhes. Nada deve passar despercebido para que tudo seja perfeito.

Agora pense na Quaresma como esse tempo que você tem para se preparar para a maior de todas as festas que é a Ressurreição de Jesus. Ao invés de preparar uma festa de casamento você precisará preparar o seu coração. É nesse sentido que a Quaresma nos propõe um tempo de recolhimento, para que possamos rever nossa vida cristã, rever se estamos realmente correspondendo àquilo que Deus nos pede. Será que estamos amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos? Será que nossas atitudes são coerentes com a fé a qual professamos? Temos saído do nosso individualismo para ir ao encontro daqueles que sofrem e que necessitam do amor de Deus?

Existem três práticas quaresmais que nos ajudam nessa preparação: a oração, o jejum e a esmola. Pela oração nos lançamos no imenso amor de Deus e em Sua misericórdia para que seja Ele a mostrar o que em nós ainda precisa ser mudado e aquilo que ainda falta para que sejamos pessoas melhores, mais livres e mais felizes. Vale lembrar que a experiência da oração é sempre a do relacionamento com um grande amigo que é Cristo, que dialoga conosco.

O jejum é um importante meio de nos aproximarmos de Deus. Não é uma simples abstenção de alimentos, como forma de sacrifício, mas sim, uma comunhão profunda com Deus, abstendo-se de tudo o que nos afasta dEle. É também uma forma de nos levar ao equilíbrio. Muitas vezes, com a correria da vida, os excessos vão nos roubando de nós mesmos, ao ponto de não mais controlarmos nossos desejos e impulsos.  O jejum é então uma arma eficaz para dizer às nossas vontades mais primitivas que elas possuem um lugar em nossa vida, e não o controle dela.

A esmola, por sua vez, é uma via de união com Deus através da prática da caridade, em um gesto concreto. Sabemos dos nossos inúmeros irmãos que sofrem abandonados por uma sociedade egoísta e individualista. Cheios de gratidão por tudo o que Deus realiza nas nossas vidas, sejamos extensão de Seu amor e da Sua providência a todos que necessitam.

Convido você a se preparar para esta grande festa, a maior de todas as festas! Busque a conversão de maneira concreta através desses meios, para que, ao chegar a Páscoa, você possa cantar o “Exulte”, na certeza de ser um novo homem, uma nova mulher, renascido(a) pelo Espírito. Que Deus lhes abençoe e Maria lhes guarde!

 

Bruno Paz Farias

Seminarista na diocese de Quixadá – Ceará

Graduado em Filosofia pela Faculdade Católica Rainha do Sertão

Graduando em Teologia pela mesma instituição

Consagrado na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

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