23/04/2018

A escolha de Deus

por Shalom

“O homem vê as aparências, mas Deus vê o coração” 23 Abril 2018 Santa Teresinha do Menino Jesus diz: “Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”. Refletindo sobre essa frase, vi que isso é uma grande verdade. Realmente aquilo que sou não é nem mesmo o que vejo, quando olho no espelho, e muito […]

“O homem vê as aparências, mas Deus vê o coração”

Santa Teresinha do Menino Jesus diz: “Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”. Refletindo sobre essa frase, vi que isso é uma grande verdade. Realmente aquilo que sou não é nem mesmo o que vejo, quando olho no espelho, e muito menos aquilo que as pessoas dizem de mim. Imagine que confusão em nossa vida seria se fôssemos somente aquilo que as pessoas dizem de nós: um dia a pessoa diz que eu sou lindo, no outro dia que sou feio, um dia que sou legal, virtuoso, disponível, caridoso; no outro dia basta uma palavra ou discussão que sou tudo ao contrário e o pior: até eu mesmo acho isso, cada dia acho uma coisa diferente.

Mas voltando para a frase da nossa jovem santa, pensemos na Eleição de Deus por nós. Como poderia Deus nos escolher para si, se não nos conhecesse como realmente somos, ou sem saber o que foi que Ele realmente criou? Deus olha para nós como obra prima da sua criação, vê nossos defeitos e qualidades, mas com seu olhar misericordioso conhece nossa mais profunda verdade e o desejo, lá no fundo, de sermos bons…

Analisemos na Palavra de Deus a Sua eleição em I Sm 16, 1b.6-7. Samuel é enviado pelo Senhor para ungir aquele que seria o rei. Quando chega à casa de Jessé, logo vê Eliab e acredita que é ele o escolhido pelo Senhor, pois era forte, mas logo o Senhor lhe diz: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas Deus vê o coração”. Jessé mostra os seus filhos, mas a nenhum o Senhor escolhe. Davi, o filho mais novo, nem estava entre eles. Provavelmente ninguém, nem o próprio Jessé achasse que seria ele o escolhido por Deus, mas era ele mesmo, “Levanta-te e unge-o: é este!”. Davi estava apascentando as ovelhas. Deus escolhe um pastor de ovelhas para cuidar do seu povo desta mesma forma: como um pastor (Interessante coincidência, Davi – o pastor de ovelhas será pastor do seu povo; Pedro – o pescador de peixes será pescador de homens; coincidência?)

Outro fato importante desta passagem é que, segundo a palavra de Deus, a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi. Aos eleitos o Senhor dá a sua graça para que possam responder ao seu chamado. É aí que se manifesta o poder de Deus. Quanto mais fracos e incapazes somos, maior é a gloria de Deus. O mesmo Davi desta passagem é o Davi que derrota o gigante Golias. Davi de “belos olhos e formosa aparecia”. Saul diz que ele não passa de uma criança (I Sm 17,33). Davi é aquele que pela graça de Deus e somente por ela mesmo, pois nem a armadura conseguia carregar (cf. I Sm 17, 39), consegue derrotar Golias.

A escolha de Deus, não é a partir de critérios humanos, por isso é tão importante a docilidade de coração. Sendo dóceis, colocamo-nos em nosso lugar, e deixamos que Deus seja Deus. E quando Deus é Deus em nossa vida, Ele pode fazer de nós o que quiser, seja em nossas capacidades e seja em nossas deficiências e fraquezas. Então, se manifesta a Sua glória para todos os homens.

Eis-me aqui, Senhor! É esta a resposta que o Senhor deseja quando somos chamados por Ele, como a Virgem Maria, que diante da grande missão, põe-se como serva e nela o Senhor realiza maravilhas, como canta no Magnificat.

Que o Senhor nos ajude a aderir com alegria à sua Vontade, nos dê docilidade para acolher a sua eleição e que a nossa vida seja um constante e eterno louvor a Deus, pelas palavras e pela vida.

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