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15/05/2019

Projeto de lei obrigaria sacerdotes a violarem segredo de confissão nos EUA

O Arcebispo de Los Angeles, Dom José Gomez, recordou que “a confissão é sagrada para todo sacerdote e para todo católico”, diante do projeto de lei que obrigaria os confessores a quebrarem este segredo sacramental para denunciar um abuso sexual, caso esta informação seja recebida através deste meio.

O Arcebispo de Los Angeles, Dom José Gomez, recordou que “a confissão é sagrada para todo sacerdote e para todo católico”, diante do projeto de lei que obrigaria os confessores a quebrarem este segredo sacramental para denunciar um abuso sexual, caso esta informação seja recebida através deste meio.

Em uma coluna intitulada “A confissão é sagrada”, o prelado se referiu ao projeto de lei 360, do Senado do Estado da Califórnia, que ordenaria os sacerdotes a divulgarem as informações sobre abuso sexual de menores que escutarem em confissão.

Dom Gomez explicou que este projeto é “uma ameaça mortal à liberdade religiosa de todos os católicos”. “O mais alarmante é que esse projeto está sendo promovido sem qualquer evidência de que protegerá as crianças”, acrescentou.

O Arcebispo recordou que os sacerdotes católicos já são obrigados a denunciar na Califórnia. “Isso significa que somos obrigados por lei a denunciar os casos de abuso sexual que suspeitemos, exceto se soubermos disso no confessionário”, ressaltou.

O projeto de lei 360 afirma que “abusou-se em grande escala do segredo sacramental do clero com respeito ao penitente e isso teve como consequência o abuso não denunciado e sistemático de milhares de crianças pertencentes a múltiplos credos e religiões”.

A este respeito, o Prelado de origem mexicana destacou que “isso, simplesmente, não é verdade. As audiências sobre este projeto de lei não apresentaram um único caso, nem na Califórnia nem em qualquer outro lugar, onde esse tipo de crime poderia ter sido evitado se um sacerdote tivesse revelado informações que tivesse escutado em confissão. Por que ninguém pede ao autor deste projeto de lei que forneça evidências de suas acusações contra a Igreja?”.

Dom Gomez também escreveu que “o projeto de lei 360 do Estado pretende resolver uma crise que não existe. O fato é que o abuso sexual infantil não é um pecado que as pessoas confessam aos sacerdotes no confessionário. Aqueles que prestam assistência psicológica a tais depredadores nos dizem que, infelizmente, muitos deles tendem a manter o segredo, são manipuladores e não conseguem compreender o grave dano de suas ações”.

O Arcebispo de Los Angeles explicou depois que é muito mais provável que jornalistas e advogados escutem mais pessoas admitindo ter cometido estes delitos. “No entanto, este projeto de lei não propõe eliminar o segredo profissional entre o advogado e o cliente, ou a proteção das fontes dos jornalistas. Dirige-se somente aos sacerdotes católicos”.

O abuso sexual e o segredo de confissão

Dom Gomez também afirmou que “o abuso sexual infantil é um pecado horrível e um crime que aflige todos os setores da nossa sociedade. Na Igreja Católica, enfrentamos esse escândalo durante muitos anos”.

“Em todo o estado, as dioceses colocaram em prática políticas e programas para que as crianças estejam seguras. Pegamos as impressões digitais e checamos os antecedentes do pessoal da Igreja, contamos com pessoas que ajudam as vítimas e temos protocolos rígidos para lidar com as denúncias contra sacerdotes e outras pessoas que trabalham para a Igreja”, indicou.

Como resultado, “é raro que haja novos casos de abuso sexual infantil por parte de sacerdotes, tanto na Arquidiocese de Los Angeles como em outras dioceses da Califórnia”.

“A Igreja está velando constantemente pela proteção das crianças e nos comprometemos em ajudar todas as vítimas sobreviventes para que possam curar-se”

No entanto, disse o Arcebispo de Los Angeles, “do ponto de vista da política pública, se o objetivo é prevenir o abuso sexual infantil, não faz sentido focar a atenção nos sacerdotes católicos nem no Sacramento da Penitência e Reconciliação, que é o nome formal da confissão”.

“Os católicos acreditamos que no confessionário podemos contar a Deus tudo o que está em nosso coração e buscar sua misericórdia sanadora. O sacerdote é apenas um instrumento; ele age na “pessoa de Cristo”. Confessamos nossos pecados, não a um homem, mas a Deus”.

Portanto, o Prelado enfatizou: “a privacidade dessa conversa íntima, nossa capacidade de falar com total honestidade a partir de nossos lábios aos ouvidos de Deus, é algo absolutamente essencial para nosso relacionamento com Deus”.

Dom Gomez lembrou-se então de São Mateus Correa Magallanes, um sacerdote pertencente aos Cavaleiros de Colombo, uma importante organização católica nos Estados Unidos.

Durante a perseguição sofrida pela Igreja no México em 1927, ele “escutava as confissões dos prisioneiros que estavam detidos nas prisões, pelo governo. E de repente, um general apontou uma arma para sua cabeça, ameaçando matá-lo se ele não revelasse o que os prisioneiros haviam contado em confissão”.

Pe. Mateus então disse: “Você pode fazer isso, mas deve saber que um sacerdote deve guardar o segredo da confissão. Estou disposto a morrer”. Pouco depois, levaram-no para fora da cidade e o mataram.

O Arcebispo de Los Angeles finalmente ressaltou que “o projeto de lei 360 do Estado deveria ser rejeitado. E teríamos que continuar trabalhando juntos para encontrar formas eficazes de combater esse flagelo do abuso sexual infantil em nossa sociedade”.

“E peçamos a nossa Santíssima Mãe Maria que nos ajude a curar todas as vítimas e sobreviventes de abuso e nos ajude a construir uma sociedade na qual todas as crianças sejam amadas, protegidas e estejam seguras”, concluiu.

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