Do retiro ao altar e à missão: experiências de carnaval que despertam vocações
Testemunhos mostram como experiências vividas durante retiros de carnaval têm levado jovens a discernir o sacerdócio, a vida consagrada e a missão. Matheus Macedo – Vatican News Em todo o Brasil, retiros de carnaval têm sido, para muitos jovens, mais do que uma proposta espiritual temporária: tornaram-se o início de caminhos vocacionais. Eventos como o […]

Matheus Macedo – Vatican News
Em todo o Brasil, retiros de carnaval têm sido, para muitos jovens, mais do que uma proposta espiritual temporária: tornaram-se o início de caminhos vocacionais.
Eventos como o Maranathá, realizado pelo grupo Jovens Sarados, e o Renascer, promovido pela Comunidade Católica Shalom, reúnem centenas de jovens que vivenciam uma experiência pessoal com o amor de Deus e passam a discernir um chamado ao sacerdócio, à vida consagrada, missionária ou a diferentes formas de serviço na Igreja.
Muitas dessas histórias começam com um simples convite — e foi assim com Lucília Martins, hoje integrante da Comunidade Servas da Alegria.
Do barulho das baladas ao silêncio do chamado
Durante grande parte da adolescência, Lucília viveu intensamente tudo o que o mundo lhe oferecia. Foi promotora de baladas, frequentava raves e buscava constantemente movimento, barulho e novas emoções.
No entanto, em meio a tantos estímulos, começou a surgir um cansaço e um vazio difíceis de explicar. “Mesmo cercada de pessoas, música e agitação, havia momentos muito atípicos em que Deus falava ao meu coração: ‘Você não pertence a esse lugar’”, conta.
Segundo ela, essa experiência acontecia justamente nos ambientes onde acreditava encontrar plenitude. “Era como se, no silêncio interior, em meio ao barulho externo, Deus me recordasse quem eu era e de onde eu tinha partido.”
O ponto de virada veio com o convite para participar do retiro Maranathá. “Ali algo mudou profundamente. Ao ver jovens servindo com tanta entrega, mas agora direcionada a Deus, meu coração ficou constrangido. Percebi que toda aquela intensidade que eu vivia poderia ser totalmente de Deus”, relata.
Já no segundo dia, surgiu o desejo de também se entregar. “Eu queria dar mais, queria viver aquilo que eles viviam.” Uma palavra marcou definitivamente sua experiência: integridade. “Deus me chamava a uma vida inteira, sem divisões. Não era possível viver metade para Ele e metade para o mundo.”
Após o retiro, iniciou-se um processo gradual de mudança. Deixou ambientes e situações que a afastavam de Deus, inclusive um relacionamento de três anos. “Apesar de amar muito, entendi que precisava estar livre para viver plenamente aquilo que Deus sonhava para mim. E, com dor e confiança, escolhi a vontade d’Ele”, conta.
Seu desejo missionário a levou a Moçambique, onde viveu uma experiência com outros 160 jovens em missão. Ela narra que ali, no meio de tantos jovens, ela pode ser um instrumento para que muitos despertassem para o amor por Deus. “A missão confirmou aquilo que já ardia dentro de mim: eu nasci para me entregar”.
Ao retornar ao Brasil, sentiu que precisava ser inteiramente de Deus. Assim, a vida religiosa começou a se encaixar perfeitamente com tudo aquilo que Deus já havia colocado em seu coração: entrega, integridade e missão.
Hoje, Irmã Lucília, serva de Nossa Senhora da Alegria, segue discernindo sua vocação, desejando se oferecer de maneira livre e integral a missão de anunciar o amor de Deus. “Aquele retiro não foi apenas um evento. Foi o ponto de partida de uma vida nova. Foi ali que Deus transformou intensidade em missão, emoção em vocação e retorno em entrega total”, completa.
Uma descoberta inesperada
A experiência de Rayane André aconteceu de forma inesperada. Em 2017, ela era responsável por organizar uma caravana para o retiro Renascer, da Comunidade Católica Shalom. Porém, seu intuíto era levar alguns jovens e ela estava responsável por organizar a caravana para o retiro.
Embora já tivesse participado de outros retiros, aquele foi diferente. “O que mais me marcou foi a oração de efusão do Espírito Santo. Um missionário rezou por mim e falou coisas que correspondiam àquilo que eu vivia.”
Outro momento decisivo aconteceu ao visitar um estande vocacional. “Eu nunca tinha ouvido falar de vocacional. A pessoa que me acolheu me apresentou a comunidade, as formas de vida, o carisma Shalom, e me disse que eu precisava participar de um vocacional”, conta.
A experiência despertou uma busca profunda. Rayane saiu decidida a descobrir sua vocação. “Esse retiro foi um marco. Passei a buscar qual era o meu lugar na Igreja.” Um ano depois, ingressou no vocacional da Comunidade Shalom. “Tudo aconteceu muito rápido. Algumas pessoas diziam que Deus tinha pressa”. Hoje, após quase dez anos, Rayane é consagrada na Comunidade de Vida Shalom.
Em meio a músicas, pregações e momentos de oração, retiros de carnaval continuam sendo, para muitos jovens, mais do que uma alternativa às festividades tradicionais. Tornam-se espaços de encontro pessoal com Deus e de escuta interior, onde surgem perguntas, decisões e novos caminhos.
Histórias como as de Irmã Lucília, João Pedro e Rayane revelam que, muitas vezes, é a partir de um simples convite que nasce um processo capaz de transformar completamente uma vida. Para eles, o que começou como uma experiência de poucos dias se tornou o primeiro passo de uma vocação vivida diariamente, como resposta a um chamado que, em meio ao silêncio, continua a ecoar.
Deus lhe abençoe, Maria e José lhe guardem!
Fonte: Vatican News
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