19/02/2016

O que o Papa disse sobre contracepção em caso de zika

por Boa Semente

Fala do Papa sobre contracepção em caso de zika repercutiu na imprensa; doutor em Teologia Moral esclarece que não se trata de uma liberação geral Jéssica Marçal Da Redação A declaração do Papa Francisco sobre contracepção em casos de zika vírus repercutiu em toda a imprensa (leia a íntegra da declaração ao final da matéria). […]

Fala do Papa sobre contracepção em caso de zika repercutiu na imprensa; doutor em Teologia Moral esclarece que não se trata de uma liberação geral

Jéssica Marçal
Da Redação

A declaração do Papa Francisco sobre contracepção em casos de zika vírus repercutiu em toda a imprensa (leia a íntegra da declaração ao final da matéria). Ontem, quanto voltava do México, ele conversou com jornalistas e abordou esse assunto, levantando a possibilidade de métodos contraceptivos, nesses casos, para evitar um “mal maior”.

“A imprensa interpretou de uma forma diferente do que o Papa disse”, explica o Doutor em Teologia Moral, padre Mário Marcelo Coelho. Muitos jornais nesta manhã noticiaram que o Papa defendeu o uso de anticoncepcionais em casos de zika vírus, mas não é bem assim, ressalta o especialista.

“O Papa fez uma declaração para um caso específico: em determinadas situações, para evitar o aborto, é preferível que se use métodos que evitem a concepção. Não significa que ele está dizendo que é liberado, que está permitido. Isso tem que ficar bem claro para a sociedade”.

O método contraceptivo é aquele que busca evitar a concepção, a fecundação do espermatozóide no óvulo. Nesse sentido, o que o Papa quis dizer, explica padre Mário, é que, nesses casos de zika vírus, se use um método que impeça a fecundação em vez de fazer o aborto, que é um crime grave. Para a Igreja, os métodos contraceptivos aceitos são aqueles naturais, como o Billings.

“Mal menor”

Em sua declaração, Francisco utilizou a expressão “mal menor” referindo-se a evitar a gravidez, mas frisou: “Não confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto (…) evitar a gravidez não é um mal absoluto”.

“Entre fazer um aborto, que é matar uma criança que já está no útero da mãe e usar um método que evite a fecundação, então que se use um método que evite a fecundação. Ele diz que é um mal menor, ele não diz que não é um mal”, observa padre Mário sobre a declaração. “É um mal menor em relação ao aborto”, acrescentou.

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Cuidado com o que a imprensa noticia

Padre Mário disse que é preciso cuidar muito ao ler notícias publicadas pela imprensa porque, segundo ele, ela é tendenciosa e usa de uma fala para interpretá-la como quer.

“O certo é buscar uma orientação. Vá até o seu pároco, ou vá até uma pessoa esclarecida e busque orientação. Busque também através de livros do Magistério que procurem esclarecer sobre esse assunto. Não é que agora a Igreja esteja liberando tudo, o Papa não liberou isso, tanto que ele disse que é um ‘mal menor’. Nós devemos buscar uma orientação clara sobre essas declarações do Papa”, finalizou.

A pergunta e a resposta do Papa na íntegra (tradução livre Rádio Vaticano):

Santo Padre, há algumas semanas há muita preocupação em muitos países latino-americanos, mas também na Europa, sobre o vírus “Zika”. O risco maior seria para as mulheres grávidas: há angustia. Algumas autoridades propuseram o aborto, ou de se evitar a gravidez. Neste caso, a Igreja pode levar em consideração o conceito de “entre os males, o menor”?

Papa Francisco: O aborto não é um “mal menor”. É um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz, eh? É um crime. É um mal absoluto. Sobre “mal menor”: mas, evitar a gravidez é – falemos em termos de conflito entre o quinto e o sexto Mandamento. Paulo VI, o Grande!, em uma situação difícil, na África, permitiu às religiosas de usar anticoncepcionais par aos casos de violência. Não confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto. O aborto não é um problema teológico: é um problema humano, é um problema médico. Mata-se uma pessoa para salvar uma outra – nos melhores dos casos. Ou por conforto, não? Vai contra o Juramento de Hipócrates que os médicos devem fazer. É um mal em si mesmo, mas não é um mal religioso, ao início: não, é um mal humano. Além disso, evidentemente, já que é um mal humano – como todos assassinatos – é condenado. Ao invés, evitar a gravidez não é um mal absoluto: e, em certos casos, como neste, como naquele que mencionei do Beato Paulo VI, era claro. Ainda, eu exortaria os médicos para que façam tudo para encontrar as vacinas contra estes dois mosquitos que trazem este mal: sobre isto se deve trabalhar. Obrigado.

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