02/09/2015

O homem deve ser “senhor da criação”, diz Frei Cantalamessa

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“O homem deve ser o dominus do resto da criação, ou seja, responsável por ele e seu custódio”, disse Frei Raniero Cantalamessa

“O homem deve ser o dominus do resto da criação, ou seja, responsável por ele e seu custódio”, disse Frei Raniero Cantalamessa

André Cunha
Da redação

O Papa Francisco se reuniu na tarde desta terça-feira, 1º de setembro, com fiéis e representantes do clero, para uma vigília no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação,instituído por ele mesmo no mês passado. O encontro aconteceu Basílica de São Pedro, no Vaticano.

A celebração da Palavra propôs a leitura de um trecho do livro do Gênesis que relata o evento da criação do universo; um salmo de louvor a Deus pela obra da criação; trechos da EncíclicaLaudato Si e do Evangelho de São Mateus.

O pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, fez a reflexão em torno dos textos propostos e destacou, a partir da narração do Gênesis, o homem como senhor da criação, a exemplo do Criador, de quem é imagem e semelhança.

“Assim como Deus é o dominus (senhor) do homem, o homem deve ser o dominus do resto da criação, ou seja, responsável por ele e seu custódio. O homem é criado para que o seja à imagem e semelhança de Deus e não de patrões humanos. O sentido do domínio do homem é explicitado na sequência do texto: “o Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no Jardim do Éden, para cultivá-lo e guardá-lo”, explicou.

Segundo Frei Raniero, a fé em um Deus criador e num homem feito à imagem de Deus não é, portanto, uma ameaça, mas “sim uma garantia para a criação, e a mais forte de todas”. “O homem não é dono absoluto de todas as criaturas; deve prestar contas daquilo que recebeu. A parábola dos talentos tem aqui sua aplicação primordial: a Terra é o talento que todos juntos recebemos e do qual temos que prestar contas”.

O pregador da Casa Pontifícia também destacou a “hierarquia de importância”, narrada na Bíblia e inscrita na natureza, onde o mineral serve ao vegetal que dele se alimenta, o vegetal serve ao animal e todos os três servem à criatura racional que é o homem.

“Essa hierarquia é para a vida e não contra ela; ela é violada, por exemplo, quando se gasta desmedidamente com os animais; enquanto se deixa morrer de fome, de doenças, milhões de crianças sob os próprios olhos. Há quem queira abolir inteiramente a hierarquia entre os seres, proposta na Bíblia e inata na natureza”.

Refletindo então acerca do Evangelho, o Frei destacou o cuidado de Deus com o homem, explícito por exemplo, na parábola onde Jesus alimentou a multidão. Segundo Cantalamessa, essa parábola bíblica deveria ser também o lema contra o desperdício, sobretudo, no campo da alimentação, visto que o que sobrou do alimento, Jesus mandou recolher no final.

O Frei ainda denunciou o acumulo de riquezas e afirmou a impossibilidade de “servir seriamente à causa da salvaguarda da criação se não tiver a coragem de apontar o dedo contra a acumulação exagerada de riqueza nas mãos de poucos e contra a tirania do dinheiro”.

“Jesus nunca condenou a riqueza por si mesma. A Zaqueu permitiu que mantivesse metade dos seus bens, que eram muitos. Um de seus amigos, por exemplo, era José de Arimateia, definido um homem rico. O que Jesus condena é a riqueza desonesta, acumulada às custas do próximo, fruto de corrupção, de especulação; a riqueza que é surda às necessidades dos pobres, como por exemplo, a do rico orgulhoso da parábola, que hoje não seria apenas um indivíduo, mas todo um hemisfério”.

Por fim, recordou São Francisco de Assis e seu cântico às criaturas, escolhido pelo Papa Francisco como um “cenário espiritual” para sua encíclica Laudato Si.

“O que nós homens de hoje podemos aprender dele [São Francisco de Assis]? Ele é a prova viva da contribuição que a fé em Deus pode dar ao esforço comum para a salvaguarda da criação. O seu amor pelas criaturas é uma consequência direta na paternidade universal de Deus”.

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