Sementes de Vida

22/06/2020

A virtude da temperança como remédio para curar o vício da gula

Você sabia que é possível frear este vício aos poucos com a virtude da temperança?

Você sabia que é possível frear este vício aos poucos com a virtude da temperança?

No texto passado da nossa série Vícios e Virtudes, lhe ajudamos a identificar a presença ou não do vício da gula em seu relacionamento com os alimentos. Hoje vamos falar um pouco sobre como combater este pecado. Com isso, começamos dizendo que o remédio para a gula é a virtude da temperança.

Essa virtude é uma das quatro virtudes cardeais, ou seja, uma daquelas sobre as quais diz o Catecismo que “todas as outras se agrupam em torno delas” (CIC 1805). Discorremos sobre a temperança no livro “Virtudes: caminho de imitação de Cristo”, no qual explicamos que temperança diz respeito a “moderação, sobriedade, comedimento.

Esta virtude leva o corpo e os sentidos a encontrarem o justo lugar que lhes pertence dentro do organismo do ser humano (material e espiritual) e assim moderar a atração dos prazeres, visando ordenar o seu uso para o bem.” (Virtudes: Caminho de Imitação de Cristo, cap. 7)

No mesmo livro, falamos sobre a temperança de Jesus atestada nas Sagradas Escrituras:

“Encontramos em Cristo a virtude da temperança. Apesar de viver uma vida ascética (a vida de Cristo é uma constante kénosis), Ele não era propriamente um asceta no que diz respeito ao Seu estilo de vida. Dão testemunho as Escrituras de que Jesus era um homem que desfrutava de uma boa refeição: comia com as multidões (cf. Mt 14,13-21), comia com Seus discípulos (cf. Mt 26,13-30), comia com fariseus (cf. Lc 7,36-49), e até com pecadores (cf. Lc 5,29-32). Isso até deu uma brecha para que Seus inimigos O difamassem, chamando-O de “comilão” e “beberrão” (cf. Mt 11,19). No entanto, Jesus tem equilíbrio e domínio de si na sua relação com estes prazeres. Vemos, por exemplo que no episódio das tentações no deserto “por quarenta dias e quarenta noites esteve jejuando; depois teve fome” (Mt 4,2), porém, mesmo quando o demônio ofereceu-lhe saciar a Sua fome, Jesus permaneceu no Seu propósito, demonstrando um total domínio de si.” (Virtudes: caminho de imitação de Cristo, cap. 3).

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Confira 5 dicas para crescer na virtude da temperança

1- Oração: a oração é diálogo de amizade, como diz Santa Teresa D’Ávila. Na medida em que progredimos nesta amizade divina, vamos nos assemelhando cada vez mais a Jesus Cristo, que é Senhor de tudo, inclusive das suas paixões. Peçamos em oração a graça de que as nossas paixões sejam submetidas por nós e não ao contrário. Neste aspecto, a amizade com a Virgem Maria é fundamental.

2- Guardar os sentidos: tudo entra em nosso corpo e na alma pela porta dos sentidos (cf. Mt 6,22). Se expomos os nossos sentidos à oferta de inúmeras desordens e excessos que o mundo oferece, rapidamente poderemos nos encontrar desejando-os e nos inquietando por experimentar deles. Guardar os nossos sentidos significa evitar consumir tudo aquilo (sejam imagens, leituras, músicas, etc) que pode gerar ou aumentar em mim o desejo desordenado pelo consumo excessivo.

3- Iluminar a inteligência: através da reflexão vamos perceber que nem tudo o que desejamos é necessidade real, mas uma necessidade criada pela mídia. Reconhecendo isto será mais fácil renunciar àquilo que é desnecessário e excessivo. Iluminamos a inteligência através de boas leituras ou formações, ou coisas do tipo, que nos aproximem da verdade.

4- Contradizer a vontade: paradoxalmente, a vontade é fortalecida na medida em que é contrariada. “À medida que a vontade é consentida, mas fraca se torna; e à medida que é contrariada, é fortalecida. É a lógica do hábito: se ela está acostumada a obter sempre aquilo que deseja, quando lhe for negado, reclamará até conseguir aquilo que deseja; mas se está acostumada a não receber certas coisas, então, quando a inteligência lhe negar algo, ela se submeterá sem grandes reclamações” (Virtudes: caminho de imitação de Cristo, cap. 7)

5- Fazer jejum: o jejum é excelente prática para a educação da vontade e a ordem interior. Consiste em abster-se de alimento a fim de unir-se ao Cristo Sofredor em vista da salvação de outrem. Esta prática torna-se louvável pela sua dimensão espiritual. Deve sempre ir acompanhada de oração. Jejum sem oração é dieta!

Que o Senhor nos dê a graça de que sermos cada vez mais como Ele, que é dono e Senhor de si, dominando seus instintos e submetendo as suas paixões.

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