Aprendendo a Misericórdia
Nós somos o rebanho de Deus! Precisamos pedir, e permitir, que Ele nos apascente, com a Sua autoridade de quem ama, reconduzindo-nos ao caminho seguro da Sua vontade. Pois, muitas vezes, nos dispersamos pela mata do mundo e, até mesmo, pelos campos cultivados da Igreja, quando o nosso coração se afasta d’Ele.
Deixemos que Deus restaure em nós a santidade original do nosso batismo, por meio da Sua graça, atualizando na nossa vida os Seus prodígios, como manifestou em toda nossa história como Seu povo.
Quando buscamos a reconciliação com o Senhor, com verdadeiro arrependimento, Ele apaga a nossa iniquidade e esquece o pecado que cometemos. O nosso Deus é misericordioso e não guarda rancor! Ao contrário, Ele se compadece de nós, lançando ao fundo do mar todas as nossas faltas, quando confessadas com sincera contrição. Deus é fiel, jamais nos abandona e mantém de pé todas as Suas promessas de amor.
Louvemos ao Senhor constantemente, com todo o nosso ser, não nos esquecendo de tudo que Ele tem realizado em nosso favor. Sejamos gratos, porque sempre podemos recorrer a Deus, na certeza de que Ele nos perdoa, nos cura e nos salva, cercando-nos de carinho e compaixão. Reconheçamos e propaguemos a misericórdia do Senhor, que não nos acusa dos nossos pecados, mas, quer nos redimir, não nos tratando como realmente mereceríamos, pelas faltas por nós cometidas.
A distância entre a terra e o céu sinaliza a grandeza do amor de Deus por nós. E a distância entre o nascente e o poente nos indica a imensidão da Sua misericórdia. Jesus nos revelou plenamente o grande amor do Pai e a Sua infinita misericórdia. Cristo nos mostrou, com as palavras e a vida, como Deus Pai nos acolhe como pecadores e de nós se aproxima para nos resgatar.
Precisamos contar com a complacência de Deus, pois, muitas vezes, pela nossa imaturidade, como filhos ingratos e rebeldes, tomamos posse dos Seus bens, nos afastamos d’Ele e colocamos tudo a perder, por meio de uma vida desenfreada.
Voltemos ao Pai o quanto antes! Não esperemos passar necessidade, enfrentando sofrimentos e privações, para que venhamos a cair em si e a nos arrepender dos erros que cometemos. Quem serve fielmente a Deus dispõe da fartura de Sua graça, porém, quem d’Ele se afasta, mais cedo ou mais tarde, sofre as consequências deste abandono e sente a grande fome da felicidade, aquela que só o Pai pode saciar.
Portanto, humildemente arrependidos, voltemos para Deus Pai que tanto nos ama e que nos espera de braços abertos. Tomemos esta sábia decisão e Ele correrá ao nosso encontro, abraçando-nos e nos cobrindo de beijos, envolvendo-nos com o Seu Espírito e restaurando em nós a imagem de Seu amado Filho Jesus, ferida e distorcida pelos nossos pecados. Deus faz festa com a nossa conversão!
Por outro lado, se alcançarmos a graça de caminharmos na fidelidade ao Pai, aprendamos com Ele a Sua misericórdia e não sejamos duros de coração para com os nossos irmãos que se afastaram e desperdiçaram os bens que d’Ele receberam, mas, voltaram arrependidos. Não cometamos um erro ainda maior que o deles. Pois, se peca com gravidade quando se falta com a caridade!
Oremos pedindo a Jesus que nos convença a cada dia da misericórdia do Pai, ajudando-nos, com o Seu Espírito, a acolhê-la, não desperdiçá-la e propagá-la. Pela intercessão de Nossa Senhora, renovemos em nós a experiência com a misericórdia do Senhor e sejamos canal dela para os nossos irmãos, assim como Maria.
Nunca endureçamos o nosso coração para com os nossos irmãos! Lembremos sempre do quanto o Coração do Pai já foi misericordioso para conosco. Assim como Deus se compadece das nossas fraquezas e nos fortalece com a Sua graça, sejamos compreensivos com a fragilidade de nossos semelhantes e procuremos fortalecê-los com nosso exemplo de amor e com a nossa oração.
(cf. Miquéias 7,14-15.18-20; Salmo 102,1-4.9-12; Lucas 15,1-3.11-32)
Que Deus lhe abençoe e Maria lhe guarde!
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Ao contrário do pensamento e da prática de condenação, Deus nos olha com o olhar de acolhimento e não pergunta o que fizemos, mas nos enriquece com a Sua misericórdia. Se estávamos na lama, nos sujando, ou seja, no pecado, na desobediência para com Ele, Deus acolhe não o pecado, mas, o pecador arrependido que se decide cada vez mais por Ele, pela vida de santidade. Voltemos nossa vida ao Senhor a cada dia, enxerguemos as nossas falhas e deixemos Jesus nos manifestar sem cessar a sua misericórdia, pela Oração, pelos Sacramentos, pela Palavra, ou seja, por toda uma vivência concreta da vontade de Deus.
Deus nosso Pai sempre nos acolhe com Seu amor misericordioso! Por isso, hoje Ele vem relembrar a parábola do filho pródigo, querendo assim nos fazer entender o quanto Ele é misericordioso para aqueles que voltam aos Seus braços, arrependidos e decididos a uma mudança de vida. Nesse tempo quaresmal, somos convidados a deixar a vida velha de pecado e voltarmos à casa do Pai, que quer revestir nossa alma com vestes novas; que quer restaurar nossa dignidade de filhos de Deus; que quer colocar calçados novos em nossos pés, para que, novamente, voltemos a pisar por caminhos seguros. Aceitemos, pois, esse convite que o Senhor nos faz e experimentemos, na confissão, o Seu abraço de misericórdia. E assim, com esse abraço, possamos participar com alegria, da grande festa que é a Santa missa, onde o Pão Eucarístico é repartido entre nós. Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso e dai-nos a graça de voltarmos aos Vossos braços, com passos firmes, cabeça erguida e cientes de que a vitória é certa, mas, somente ao lado do Pai. Amém! Que Deus nos abençoe e Maria nos guarde!