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07/10/2019

Protestos no Iraque. Dom Warduni: jovens e famílias pedem seus direitos

Os protestos realizados nas principais cidades do Iraque causaram dezenas de vítimas entre os manifestantes e as forças de segurança. Dom Shlemon Warduni fala ao Vatican News sobre a situação tensa vivida no país.

Os protestos realizados nas principais cidades do Iraque causaram dezenas de vítimas entre os manifestantes e as forças de segurança. Dom Shlemon Warduni fala ao Vatican News sobre a situação tensa vivida no país.

Federico Francesconi – Cidade do Vaticano

“Uma vida cada vez mais difícil que exige o respeito dos direitos: o descontentamento no Iraque aumenta e o país, que era rico, agora se encontra em condições de pobreza total.”

São as palavras do bispo da Diocese de  Anbar dos Caldeus, dom Shlemon Warduni, que descreve como está vivendo a população iraquiana há anos.

Os jornais falam de 31 mortos e mais de mil feridos durante os protestos para pedir infraestruturas, trabalho, educação, saúde, estabilidade e investigações sobre a corrupção do Governo.

O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, disse ter ouvido as “reivindicações justas” e prometeu responder às preocupações da população, advertindo que não é possível ter “soluções mágicas”.

O diálogo é o caminho indicado por dom Warduni.

Dom Warduni: “A vida no Iraque não melhorou, mas piorou. Por isso, os jovens, pobres jovens! – e famílias, pobres famílias! – pedem os seus direitos: direito ao trabalho, escola, reconstrução de suas casas… Nós iraquianos queremos os nossos direitos!”

Os manifestantes falaram muito de corrupção e falta de serviços. São esses também os motivos do descontentamento?

Dom Warduni: “Sempre! Precisamos de infraestruturas. São cerca de 16 anos que falta luz elétrica, que volta apenas a cada duas horas. Alguns dias não temos mesmo eletricidade e o mesmo acontece com a água potável e outras coisas necessárias para a vida digna dos cidadãos iraquianos. O Iraque, que é muito rico, agora é muito pobre. Isso é possível?”

O primeiro-ministro Mahdi definiu os protestos justos e disse ter ouvido as razões. Quais foram suas reações até esse ponto?

Dom Warduni: “É muito fácil dizer palavras. Difícil é fazer, reconhecer os direitos das famílias, das crianças, dos alunos, fazer um pouco de bem. A Europa, os Estados Unidos, todos falam de interesses. Gritamos ao mundo: por favor, façam uma coisa boa. O Iraque não precisa de ninguém se as coisas forem bem feitas.”

Segundo as agências, o balanço até hoje é de 31 mortos e mais de mil feridos, incluindo manifestantes e policiais…

Dom Warduni: “Essa violência não é praticada nem mesmo aos animais! As pessoas reivindicam seus direitos, devemos chamá-las e conversar com elas. Perguntar-lhes: “O que vocês querem?” Queremos paz, queremos honestidade, trabalho para todos os jovens e todas as famílias. Falo abertamente, mesmo se corro o risco de me matarem: não me importa. Esperamos que [os governantes] aprendam com esse gesto que os nossos jovens fazem.”

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