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11/11/2017

Papa: relações internacionais não podem ser dominadas pela força militar

Papa falou aos participantes de simpósio sobre desarmamento integral, destacando que o desenvolvimento humano é o caminho

Da redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco durante o discurso do Simpósio contra o armamento nuclear / Foto: Reprodução CTV

Um mundo livre das armas nucleares foi o pedido central do discurso do Papa Francisco direcionado aos membros do simpósio internacional “Perspectivas para um mundo livre de armas nucleares e para o desarmamento integral”, que acontece de 10 a 11 de novembro no Vaticano.

O Santo Padre pediu que o mundo não ceda ao pessimismo, ainda que a corrida armamentista desconheça limites. A produção de armas, não somente as nucleares, “representam uma considerável despesa às nações, a ponto de colocar em segundo plano as prioridades reais da humanidade sofredora”.

Além disso, afirma Francisco, as armas nucleares provocam um sentimento de inquietação em decorrência de suas catastróficas consequências humanitárias e ambientais, como testemunham os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki. As duas cidades japonesas foram bombardeadas pelos Estados Unidos em agosto de 1945, único momento da história humana em que armas nucleares foram usadas contra civis.

“As relações internacionais não podem ser dominadas pela força militar, pelas intimidações recíprocas e pela ostentação dos arsenais bélicos. As armas de destruição em massa não podem constituir a base da pacífica convivência entre os membros da família humana”, salientou Francisco.

O Papa advertiu ainda a respeito do uso indiscriminado da ciência para este fim e das lacunas no direito internacional, que não impedem que mais nações se tornem detentoras de armas atômicas. “Trata-se de cenários angustiantes se pensarmos nos desafios da geopolítica contemporânea como o terrorismo ou os conflitos assimétricos”.

Esperança

Há, porém, sinais de que a humanidade está mais atenta ao desarmamento nuclear, como se comprova na recente votação da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabeleceu como imoral o uso destas armas. O Santo Padre citou ainda a atualidade do magistério dos Papas Paulo VI e João XXIII, que décadas atrás insistiam na importância do desenvolvimento humano integral e no desarmamento completo.

“É preciso rejeitar a cultura do descarte e cuidar das pessoas e dos povos que sofrem as mais dolorosas desigualdades, através de uma obra que saiba privilegiar com paciência os processos solidários em relação ao egoísmo dos interesses contingentes”, afirmou.

Por fim, o Sucessor de Pedro examinou o conceito de utopia que cerca a ideia de um mundo sem armas e garantiu que a Igreja não se cansa de oferecer ao mundo a consciência de que o desenvolvimento integral é a estrada do bem que a família humana é chamada a percorrer.

“Eu os encorajo a levar avante esta ação com paciência e constância, na confiança de que o Senhor nos acompanha. Ele abençoe cada um de vocês e o trabalho que realizam a serviço da justiça e da paz”, finalizou.

Sobre o evento

O Simpósio no Vaticano é promovido pelo órgão para o Desenvolvimento Humano Integral, presidido pelo Cardeal Peter Turkson. Entre os convidados dos dois dias de encontro, estão vários Prêmios Nobel, como Mohamed El Baradei, Mairead Maguire, Adolfo Pérez Esquivel, Jody Williams e Muhammad Yunu, além de representantes das Nações Unidas.

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