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10/11/2020

Pandemia da Covid-19 acentuou pobreza, aponta Cáritas Portuguesa 

Presidente da Cáritas Portuguesa alerta para aumento de pessoas em situação de pobreza: “Combater a pobreza é incidir sobre o que já existe”

Presidente da Cáritas Portuguesa alerta para aumento de pessoas em situação de pobreza: “Combater a pobreza é incidir sobre o que já existe”

Da redação, com Agência Ecclesia

O presidente da Cáritas Portuguesa manifestou a sua preocupação com o aumento do número pessoas que “têm caído em situação de pobreza” durante a pandemia da Covid-19. “Os recursos são escassos, tanto os recursos humanos, como os recursos materiais, e há necessidades que não estávamos totalmente preparados, nomeadamente aquilo que muitas vezes não tem a ver com a pobreza material”, disse Dom Eugénio Fonseca, em entrevista a respeito do IV Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja Católica celebra no próximo domingo, 15.

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O presidente da Cáritas Portuguesa refere que a instituição registou um aumento de 48% nos pedidos de apoio e sublinha que, além dos números, existe um “fator de exclusão” que resulta do confinamento que “leva muitas vezes as pessoas a não estarem apenas confinadas, mas a estarem isoladas”.

“Este ir ao encontro das pessoas, cada comunidade fez o que pôde, mas no setor da ação sociocaritativa da Igreja em Portugal o que predomina são as pessoas em idade de risco o que não nos permitiu estarmos tão próximos quanto desejaríamos”, acrescentou o bispo.

 

Dom Eugénio Fonseca destacou que na parte material existiu “uma onda de solidariedade extraordinária”, relativa aos Bancos Alimentares Contra a Fome, que permitiu ir ao encontro das necessidades básicas de cerca de 29 mil pessoas. A Cáritas Portuguesa chegou ainda a 6 mil pessoas, no âmbito do programa que quer “inverter a curva da pobreza”, através da campanha ‘Heróis Doar’ e que “precisa urgentemente ser reforçada”.

Segundo o responsável, a pobreza necessita de respostas que passam por “medidas de politicas-públicas” mas, cuja aplicação, “tem que ter uma metodologia de grande proximidade” o que leva as comunidades cristãs, mesmo a nível interparoquial, a darem maior atenção e cuidar mais deste tipo de grupo que está constituídos na ação social.

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O Governo português anunciou a criação da comissão de coordenação para a elaboração da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, com “individualidades de reconhecido mérito” que vão elaborar o plano com que se pretende “mitigar as desigualdades e garantir condições de vida dignas para todos os cidadãos” e vão ouvir entidades como a Rede Europeia Anti-Pobreza, a Cáritas Portuguesa, a Confederação das Instituições Sociais, a União das Misericórdias Portuguesas.

“Que esta estratégia passe por medidas que levem as pessoas a não ficarem em situação de empobrecimento rapidamente. Combater a pobreza é incidir sobre o que já existe, combater o empobrecimento é criar condições para que deixem de existir essas mesmas condições”, salientou Dom Eugénio Fonseca.

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O presidente da Cáritas Portuguesa alertou para fatores como as rendas de casa, “muitas vezes inacessíveis aos salários existentes”, “a condição e acesso a salários dignos”, a igualdade de oportunidades ao Serviço Nacional de Saúde – SNS, uma justiça acessível a todos “mesmo com menos recursos econômicos”, a redistribuição do rendimento disponível “através de um novo formato fiscal que não incida tanto nos rendimentos do trabalho, mas possa incidir mais nos rendimentos do capital”, o acesso à igualdade de oportunidades a todos os níveis de ensino.

A Igreja Católica vai assinalar o quarto Dia Mundial dos Pobres neste domingo, 15, com o tema ‘Estende a tua mão ao pobre’; Esta iniciativa foi instituída pelo Papa Francisco no contexto do Jubileu da Misericórdia, no penúltimo domingo do Ano Litúrgico. A partir do tema da mensagem do Papa, o presidente da Cáritas salienta que Francisco pede que se segurem as pessoas.

“O grande desafio mesmo à Igreja é olhar para o pobre não como o culpado, o réu da situação em que se encontra, mas como alguém que foi vítima e depois tem atitudes e formas de estar em um sistema gerador de muitas injustiças, basta ver as desigualdades que existem no mundo”, concluiu.

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