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30/09/2019

Bispos do Haiti: classe dirigente do país é surda ao clamor do povo

Os bispos haitianos se perguntam: “Existe uma violência mais atroz do que viver constantemente na insegurança? O que há de pior do que a pobreza extrema que ceifa toda e qualquer esperança? Nenhum povo deve aceitar a miséria, pobreza e violência de modo resignado”

Os bispos haitianos se perguntam: “Existe uma violência mais atroz do que viver constantemente na insegurança? O que há de pior do que a pobreza extrema que ceifa toda e qualquer esperança? Nenhum povo deve aceitar a miséria, pobreza e violência de modo resignado”

Cidade do Vaticano

Num comunicado divulgado no final de semana, a Conferência Episcopal Haitiana (CEH) faz uma duríssima acusação contra a atual classe dirigente do país caribenho. Os bispos haitianos encontraram-se na semana passada ao tempo em que no país a situação social e econômica é sempre mais explosiva, com os protestos que prosseguem há semanas e a carência de combustíveis.

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Há meses, manifestantes pedem a renúncia do Presidente

Nos últimos dias a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes que há meses pedem a renúncia do Presidente da República Jovenel Moïse. A atitude dos bispos é de “angústia indescritível” face a como o país se apresenta há mais de um mês.

“É como se estivéssemos num estado de guerra fratricida. Chegamos a essa situação devido ao comportamento de funcionários e dirigentes eleitos. Não é mais o momento de proclamar que somos todos culpados. Essa não é a verdade; nem dizer que condenamos genericamente toda e qualquer violência; ela tem uma origem”, lê-se.

Ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres

A nota prossegue: “Apesar dos nossos repetidos apelos dos últimos dois anos, os líderes atuais, eleitos e responsáveis políticos, permanecem surdos, ocupados em gerir seu poder, seus privilégios e seus interesses mesquinhos. Enquanto isso, alguns setores da sociedade se tornam cada vez mais ricos, às custas dos pobres que não podem alimentar-se ou pagar a escola de seus filhos”.

Os bispos haitianos se perguntam: “Existe uma violência mais atroz do que viver constantemente na insegurança? O que há de pior do que a pobreza extrema que ceifa toda e qualquer esperança? Nenhum povo deve aceitar a miséria, pobreza e violência de modo resignado”.

País em chamas devido irresponsabilidade dos dirigentes

“Por conseguinte – prosseguem –, os mais altos poderes do Estado devem assumir suas responsabilidades para garantir o bom funcionamento do país e das instituições; eles são moralmente responsáveis pela segurança e pelo bem-estar da população. E, em primeiro lugar, o presidente da República. Se o país está em chamas é por causa da irresponsabilidade deles”.

Daí, o claro convite a identificar as consequências desta situação: “Como podem não saber aquilo que o mundo inteiro sabe? É preciso um ímpeto de consciência, para medir o alcance dos falimentos acumulados e identificar as consequências. É hora de agir para mudar a vida no Haiti. Amanhã será tarde demais”.

Religiosos pedem criação de governo de emergência nacional

A nota episcopal se conclui com um convite: “Povo haitiano, unamo-nos para derrotar insegurança, corrupção, impunidade, violência e todos os germes de morte. Deus nos criou para a vida. Por isso, temos o direito de existir e viver com dignidade”.

Dias atrás também a Conferência dos religiosos do Haiti pediu numa nota “a criação imediata de um governo de emergência nacional”. (Sir)

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