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11/02/2021

A Virgem Imaculada de Lourdes

Passaram-se 163 anos das aparições de Nossa Senhora na pequena cidade de Lourdes nos pirineus franceses. Era um dia como esse, 11 de fevereiro de 1858, quando a jovem camponesa, Bernadete Soubirous, estava recolhendo lenha nas imediações da gruta de Massabielle às margens do rio Gave. De família extremamente pobre, a jovem Bernadete não tinha estudo, era uma camponesa simples e humilde.

Passaram-se 163 anos das aparições de Nossa Senhora na pequena cidade de Lourdes nos pirineus franceses. Era um dia como esse, 11 de fevereiro de 1858, quando a jovem camponesa, Bernadete Soubirous, estava recolhendo lenha nas imediações da gruta de Massabielle às margens do rio Gave. De família extremamente pobre, a jovem Bernadete não tinha estudo, era uma camponesa simples e humilde. Sua família morava em um moinho abandonado em Lourdes. Por conta da umidade do moinho, a jovem Bernadete tinha uma saúde frágil, devido à asma que, durante toda a vida, a acompanhava.

Enquanto Bernadete, às margens do rio, procurava gravetos de lenha com sua irmã e uma amiga, percebe um vento e, ao mesmo tempo, algo rouba a sua atenção para dentro daquela gruta suja. Enquanto tirava as meias para atravessar o rio, ela ouviu um barulho como o de uma rajada de vento e olhou para a gruta. Ao olhar para a parte de cima da gruta, ela assim relatará mais tarde: “Vi uma senhora vestida de branco, vestia um vestido branco e véus igualmente brancos, uma faixa azul e tinha uma rosa amarela em cada pé”. Lembremos de que ali era um lugar sem atrativos, ou seja, abandonado. Quando Bernadete olha para a gruta, percebe essa senhora belíssima, de uma beleza sem par, nunca vista por aquela pobre jovem.

Como em um impulso interior, ela atravessa o rio e fica como que extasiada diante daquela visão tão linda, as palavras faltaram. Bernadette, juntamente com a Senhora, fez o sinal e rezou o Rosário. Quando a oração terminou, a jovem Senhora desapareceu.

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes

Bernadete era de uma humildade extrema e, ao mesmo tempo, de um coração tão simples e meigo. Em sua simplicidade, não imaginava quem seria aquela Senhora tão bela. Não imaginava que era Nossa Senhora. Apesar de ter sido proibida de voltar à gruta pelos pais, Bernadete sentiu uma força interior atraindo-a para lá. Por insistência dela, sua mãe acabou permitindo que ela fosse a Massabielle.

Das dezoito aparições da Virgem à Bernadete, três foram silenciosas, onde a Virgem Santa não falou nada senão gestos de uma singeleza incrível. A Santa Virgem rezava e movia os lábios; era, sem dúvida, como se convidasse Bernadete à oração, era um apelo mais que externo interno, um chamado à oração. Ao olhar para aquela bela Senhora, com seu rosário na mão, Bernadete também segura o seu e, unida Àquela Senhora, reza. Maria é, sem dúvida, Mestra de oração e modelo de Mulher orante, é visão escatológica da Igreja.

Somente no dia 18 de fevereiro de 1858 a Virgem falou pela primeira vez. Bernadette, em sua ingenuidade, ofereceu a Ela uma caneta e um papel, pedindo que escrevesse seu nome, mas Ela respondeu: “Não é necessário”. Em seguida, acrescentou: “Não prometo fazer você feliz neste mundo, mas no outro”. E perguntou à jovem: “Você faria a gentileza de vir aqui por quinze dias?

“Aquela coisa”

Deus, em seus desígnios de amor, escolhe os simples e ignorantes aos olhos do mundo para revelar seus mistérios. Os videntes de Nossa Senhora foram pessoas simples, extremamente humildes, sem atrativos humanos. O Senhor escolhe quem Ele quer e como quer. Bernadete não sabia dizer o que era que ela via ou, na verdade, quem era aquela Mulher, quando perguntavam a ela o que tinha visto na gruta, dizia em seu dialeto: “Aquela coisa”. Ela sabia que era algo diferente deste mundo.

A Virgem Santíssima convida Bernadete à oração pelos pecadores e a penitência. Lourdes é um apelo à conversão e um convite à vida interior, ou seja, à oração, à intimidade com Deus. Ao longo desses quinze dias, algo de especial acontece, em um desses dias, a Virgem pede à Bernadete que coma umas ervas amargas que tinha ali nos pés da gruta, comer pelos pecadores, em sinal de sacrifício e penitência. A Senhora pede que a jovem moça coma as ervas amargas e beba da água da gruta, da fonte. O interessante é que não existia água na gruta.

A Senhora pede que ela cave aos pés da gruta e beba a água, mas não tinha água, era só lama que saia enquanto ela cavava. A jovem pegou com a mão aquela lama e bebeu. No dia seguinte, ao chegar na gruta de Massabielle, ela percebe água onde tinha cavado e, a partir daí, nunca mais deixou de sair água. Verdadeiramente, Lourdes é um milagre contínuo.

As curas

A primeira cura milagrosa em Lourdes acontece ainda durante as aparições. No dia 01 de março de 1858, décima segunda aparição, uma jovem, em meio àquela multidão, que acompanhava Bernadete, teve a mão e o braço paralisado, por conta de uma queda de uma árvore. A jovem coloca o braço e a mão na fonte e, instantaneamente, tanto o braço quando a mão voltam para os movimentos normais, como se nunca tivesse ficado paralisado.

A Virgem pede que Bernadete peça aos padres que venham em procissão até a gruta e construam uma capela. Diante dessa ordem, a jovem procurou o pároco de Lourdes e disse tudo a ele o que a Senhora queria. O padre pede o nome da Senhora. Não construirá uma igreja sem saber nem o nome de quem quer. Ele exige o nome da Senhora, só depois construirá.

No dia 25 de março, última aparição da Virgem, acontece algo extraordinário. Ela pede que a senhora diga o seu nome, pois o pároco não acredita nela e ele exige o nome. Segundo Bernadette, a Senhora estendeu os braços em direção ao chão, depois, juntou as mãos como se estivesse em oração e disse no dialeto daquela região: “Que soy era Immaculada Concepciou”, ou seja, (Eu sou a Imaculada Conceição). A jovem saiu correndo atravessando o rio; e, por aquelas estradas, corria como Maria Madalena depois do encontro com o Ressuscitado.

Bernadete, sem ter feito catecismo por conta da extrema pobreza, fez a mais linda experiência com o evangelho. Só corre quem tem pressa de comunicar algo. Por todo o caminho, Bernadete foi repetindo continuamente as palavras que ela não tinha entendido, “Ela é a Imaculada Conceição, Ela é a Imaculada Conceição”, a fim de não esquecê-las. Quando as repetiu para o bravo pároco, essas palavras o incomodaram e, a partir dali, ele entendeu que era uma manifestação do céu, se tratava de uma mariofania (aparição de Maria).

Dogma de fé

O interessante é que: Bernadete não sabia o que significava “Imaculada Conceição”. O dogma da Imaculada foi proclamado oficialmente em 1854, ou seja, quatro anos antes da aparição. Bernadete não sabia do dogma e muito menos da proclamação desta verdade de fé. A partir de tal revelação, o pároco de Lourdes, com simplicidade, explica à Bernadete que a Senhora que ela tinha visto 16 vezes era nada mais nem nada menos que a Santíssima Virgem Maria, a Imaculada Mãe de Deus. Sem dúvida, Lourdes é mais que uma manifestação Mariana, Lourdes é confirmação de um dogma de fé, ou seja, em Lourdes, Nossa Senhora confirma toda a doutrina acerca da sua Imaculada Conceição. A Bela Senhora na gruta de Massabielle, confirma que Ela foi concebida sem o pecado original, preservada da mancha do pecado em virtude dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que Nossa Senhora nos leve a entender que a humildade é a grande virtude que precisamos no mundo atual, e que a oração e a penitência são meios eficazes de encontro e intimidade com Deus. Que, por mais que possamos nos sujar com o pecado, Deus sempre vem ao nosso encontro, como veio por meio de Maria na gruta suja de Massabielle, que não existe lugar sujo ou imundo onde Deus não possa nos encontrar. Numa gruta imunda, a pureza entrou; e, como uma mãe tão bondosa, a Virgem revelou os apelos de Deus.

Senhora Nossa, Imaculada de Lourdes, intercedei por nós para que a santidade seja nosso grande desejo; e, que a exemplo de Maria, sejamos puros e humildes acima de tudo.

José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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