Finanças: Organização e Têmpera
Com mais e mais pessoas endividadas e sem ter como pagar as contas, a dúvida é: o que fazer para reverter essa situação? Para o educador e terapeuta financeiro, Reinaldo Domingos, autor do livro “Livre-se das Dívidas”, é importante criar uma estratégia para sair dos débitos. “A primeira preocupação das pessoas deve ser com as dívidas de juros maiores, como no cheque especial ou no cartão de crédito”, ensina.
Entretanto, ele chama a atenção para o fato de que é fundamental negociar essas contas antes de pagar, reduzindo ao máximo os juros e as multas. “O consumidor também deve ter em mente que é hora de combater as causas das dívidas e não o efeito, e isso só de faz com educação financeira”.
Já para os que não têm dívidas o ideal é investir o dinheiro, segundo Domingos nesta hora existem diversos tipos de investidores. “É importante que o investimento esteja atrelado aos objetivos das famílias que devem ser de curto, médio e longo prazo. Caso contrário o retorno poderá não ser tão interessante, causando até prejuízos”, relata Domingos, que também é presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira.
Orientação é necessária
Segundo o especialista, não faltam indicadores para demonstrar como a população precisa de orientação para lidar com as finanças pessoais.
“A renda do brasileiro ficou mais comprometida neste ano com o pagamento de dívidas, atingindo 25,8% em fevereiro (número mais recente) – nível mais alto da série do Banco Central, iniciada em julho de 2006”, destaca Domingos.
Outro dado, expõe, é que a inadimplência do consumidor que freqüenta lojas de shoppings cresceu 3% no primeiro trimestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, segundo a Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop).
Ao mesmo tempo, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que um em cada quatro universitários adota comportamento de risco com o uso do cartão de crédito, ou seja, atrasam o pagamento, não pagam o total da fatura e ainda têm débitos superiores ou igual a R$ 1.000,00.
Sem contar que estudo da Sophia Mind, empresa de pesquisa e inteligência de mercado, aponta que 54% das mulheres não conseguem guardar nada da sua renda anual para investir e tendem a ser consumistas.
Para viver melhor
“O fato é que muito se fala em sustentabilidade, consumo consciente, responsabilidade social. Embora venha sendo atribuído a esses conceitos uma dimensão muito mais complexa, na essência eles estão imbuídos do sentido de cuidar para assegurar uma condição melhor para se viver. Então, ensinar as pessoas a administrarem seus próprios recursos contribui para que elas tomem consciência de que é necessário cuidar bem do que se tem para viver melhor agora e no futuro”, conclui Reinaldo Domingos.
Para Lúcia Helena V. Barbosa, Consagrada da SMSB (Comunidade Mariana Boa Semente) e Bacharel em Administração de Empresas pela FCRS, “um dos principais motivos que dificulta a organização das finanças de uma pessoa é a falta de orientação financeira, que tem inicio na família do indivíduo e passa por todas as fases da educação formal”.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com