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Chinês ganha Nobel da Paz

09/Outubro/2010

Luta não-violenta pelos direitos humanos

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O ativista chinês Liu Xiaobo ganhou, ontem, o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento a décadas de ativismo não-violento pela democracia e os direitos humanos.

A escolha coloca na berlinda a situação dos direitos humanos na China, num momento em que o país começa a se valer do seu expressivo crescimento econômico para ocupar um papel de maior destaque no cenário político internacional.

O Comitê Norueguês do Nobel elogiou Xiaobo por "sua luta longa e não-violenta pelos direitos humanos fundamentais na China" e reiterou sua crença em "uma estreita conexão entre direitos humanos e paz".

Xiaobo não sabe que recebeu a homenagem porque está incomunicável na prisão de Jinzhou, em Liaoning, 480 quilômetros ao noroeste de Pequim. As informações foram divulgadas pelos seus advogados, Mo Shaoping e Pu Zhiqiang.

Neste momento, ninguém, nem mesmo seus advogados, pode ter contato com ele. "Será preciso aguardar até a visita mensal que ele recebe da sua mulher, Liu Xia, com quem também não tem permissão para se comunicar por enquanto", disse Mo. Seu outro advogado, Pu, acrescentou: "Ouvi dizer que Xia está sendo impedida de sair de casa, estou tentando falar com ela. Tenho certeza de que Liu Xiaobo não sabe nada sobre o prêmio, sua mulher deve informá-lo em sua próxima visita a ele na cadeia".

Tanto Pu quanto Mo dizem duvidar que o ativista possa sair da China para receber o prêmio, que inclui 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,5 milhões). O Nobel da Paz é tradicionalmente entregue em Oslo, na Noruega, no dia 10 de dezembro.

Liu Xia afirmou que a China deveria ter orgulho da escolha do seu marido para a premiação e soltá-lo da prisão onde se encontra. "Estou tão feliz, tão feliz, que não sei o que falar. Espero que a comunidade internacional aproveite essa oportunidades para exortar o governo chinês a soltar o meu marido", ressaltou. Ainda de acordo com ela, a Polícia chinesa prometeu levá-la hoje para a prisão onde está Xiaobo para contá-lo que recebeu a homenagem.

Nesta semana, Liu Xia havia dito que a China tentaria a todo custo evitar a concessão do Nobel ao seu marido. Ela afirmou que não o vê desde 7 de setembro e que a saúde dele está abalada, mas que ele está com ânimo positivo. "Os amigos de Liu Xiaobo sempre me diziam que queriam, mais do que ele, que ele ganhasse esse prêmio, porque acham que é uma oportunidade de mudar a China", relatou.

Em uma de suas últimas entrevistas, Liu disse ter esperança de assistir à progressiva democratização da China. "Vamos avançar muito lentamente, mas não será fácil conter as demandas de liberdade, tanto das pessoas comuns quanto de membros do Partido (comunista)", estimou.



Fique por dentro
Onze anos de prisão


Liu Xiaobo, ex-professor de Literatura e o mais proeminente dissidente chinês, incomoda o governo desde 1989, quando aderiu a uma greve de fome estudantil dias antes da repressão militar ao movimento pró-democracia na Praça da Paz Celestial. Liu, 54, foi condenado a 11 anos de prisão em dezembro passado sob a acusação de subversão, por fazer campanha em prol de liberdades políticas. A sentença foi criticada pelos EUA e pela União Europeia. Liu está entre os mais combativos críticos do regime chinês.

INSATISFAÇÃO

Governo chama Liu de "criminoso”



Pequim classifica a homenagem de "obscenidade", convoca embaixador, e censura a notícia em todo o país

Pequim. O governo da China classificou, ontem, Liu Xiaobo de "criminoso". Autoridades chinesas informaram ainda que as relações bilaterais com a Noruega - país que concede o prêmio - serão prejudicadas e até convocou o embaixador norueguês em Pequim para expressar sua insatisfação.

"Xiaobo é um criminoso que violou a lei chinesa. O fato de o comitê dar o prêmio para tal pessoa também rebaixa o prêmio. Esta é uma obscenidade contra o prêmio da paz", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Ma Zhaoxu.

Em seguida, o porta-voz reiterou o relacionamento positivo mantido entre China e Noruega. "Nos últimos anos, a relação entre China e Noruega manteve franco desenvolvimento, o que contribui para os dois países e os dois povos", afirmou Zhaoxu. "Vai contra o princípio do Nobel da Paz e trará danos para as relações bilaterais entre China e Noruega".

O porta-voz acrescentou também que o desejo de Alfred Nobel - criador da premiação - era destacar a atuação de quem "promove a harmonia nacional e a amizade internacional".

A notícia do Nobel da Paz foi censurada nos principais sites da China, assim como nas redes de telefonia móvel do país.

Uma simples busca com as palavras-chave "prêmio Nobel, paz, Liu Xiaobo" não indicava resultado algum nos grandes portais de notícias e ferramentas de busca, como Sina, Sohu e Baidu. A censura também estava ativada no Weibo, um site de relacionamento semelhante ao microblog Twitter. As mensagens de SMS contendo o nome de Liu Xiaobo estavam bloqueadas, e não chegavam ao seu destinatário.

O noticiário da noite da televisão estatal CCTV foi aberto com notícias sobre as inundações na ilha chinesa de Hainan.

Apesar da censura, em Pequim, mais de uma dúzia de apoiadores de Liu se reuniram na entrada de um parque na região central da cidade para parabenizar o dissidente.

A censura é forte na China a posições críticas em relação ao governo ou a questões referentes aos direitos humanos. As notícias sobre dissidentes são retiradas dos sites politicamente sensíveis e o governo controla rigidamente a Internet para evitar que os opositores se organizem de qualquer forma.

De acordo com o ativista e advogado chinês Teng Biao, um dos mais destacados na luta pela democracia na China, o prêmio é uma homenagem a todos os dissidentes chineses e pode até ajudar na libertação de Liu Xibao, preso desde dezembro e condenado a 11 anos de prisão por subversão.

DIREITOS HUMANOS



Líderes mundiais pressionam por libertação



Washington. Líderes mundiais e organizações pró-direitos humanos reforçaram, ontem, os pedidos para que o governo da China liberte o ativista Liu Xiaobo.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que recebeu no ano passado o prestigioso prêmio, pediu que Pequim "liberte Liu o mais rápido possível", saudando a atribuição do prêmio a um "porta-voz eloquente e corajoso da causa dos valores universais defendida por meios pacíficos".

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, parabenizou Liu e disse que espera que ele receba o prêmio pessoalmente em dezembro, em Oslo.

O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, pediu que a China liberte o vencedor do Nobel e "todos os prisioneiros de consciência aprisionados por exercer liberdade de expressão".

O Vaticano elogiou a concessão do prêmio a Liu e exortou a China a respeitar os direitos humanos. "Respeitar os direitos humanos e a liberdade religiosa é o único modo de salvar a China da catástrofe que já pode ser observada hoje", afirmou.

Desconhecimento

O assessor especial para Assuntos Internacionais do governo brasileiro, Marco Aurélio Garcia, afirmou desconhecer Liu. "Não tenho a menor informação sobre ele. O meu candidato era outro, era o presidente da Bolívia, Evo Morales", afirmou.

O Itamaraty e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva silenciaram sobre o reconhecimento ao ativista.

Morales está sendo criticado na Bolívia por tentar restringir a liberdade de imprensa. Um projeto dele estabelece, entre outras restrições, que jornalistas e donos de jornais que forem processados não terão o direito de recorrer da sentença.

 

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com

 


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Tags:PolíticaEventosCaridadeSolidariedade

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