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19/12/2018

Todo pecador que se converte fala de santidade

Mais uma semaninha e estaremos festejando o nascimento de Jesus. É verdade que todos nós sabemos que Ele nasceu já e que não pode de novo renascer no nosso meio. A vida, como para cada ser criado, tem uma vinda e uma volta só e não muitas voltas por aqui nesta terra. Mas temos um […]

Mais uma semaninha e estaremos festejando o nascimento de Jesus. É verdade que todos nós sabemos que Ele nasceu já e que não pode de novo renascer no nosso meio. A vida, como para cada ser criado, tem uma vinda e uma volta só e não muitas voltas por aqui nesta terra. Mas temos um jeito divino para que quem veio não seja nunca esquecido. Qual? A memória. Recordar as palavras e o que Jesus fez, aliás, Ele mesmo nos diz: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19).

Celebrar o Natal é celebrar a vida. E para viver bem na alegria, não é necessário encher todos os dias as geladeiras de coisas, mas encher todos os dias o coração de amor e de paz, não para guardar, mas para distribuir de mãos cheias por aonde nós formos.

O Natal, como sabemos todos nós, é uma festa que nunca deveria ser comercializada, banalizada, vendida, mas sempre tida e vivida numa austeridade de alegria e de paz. A alegria não necessita de muitas coisas para ser autêntica e verdadeira, mas o comércio nos engana. Algumas pessoas, que eu defino “sem juízo” e bobas, querem tirar o nome Natal porque têm uma chamada cristã e substituí-lo pelo nome “festa de inverno”. Em outras palavras, querem tirar Jesus, mas não perder dinheiro. Assim que vai o mundo em que vivemos e sobre o qual nós que cremos em Jesus devemos reagir.

Não nos preocupemos muito com presentes e outras bobagens “preenchetivas” e vazias, preocupemos-nos com as coisas de Deus, para nós e para os outros. Uma boa conversão, uma ótima confissão e uma celebração eucarística que seja de verdade uma festa, um presépio que nos ajude a viver a mística do silêncio da oração, do Natal. Os ricos não necessitam do Natal, aliás, uma criança a mais provoca descompenso econômico, se preocupam com coisas, como encher os cofres e ter sempre
mais e mais. Os pobres sabem que a alegria de uma família é o coração e não coisas.

Tentemos também fazer neste ano um Natal diferente, uma alegria do coração, uma festa familiar, acolher Jesus nos pobres e fazer uma grande celebração juntos, uma grande ceia juntos e cantar juntos o glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens e mulheres que ele ama e que o amam.

Que alegria, a violência acabou

Se lemos jornais ou abrimos, só por um instante, a TV ou outros meios de comunicação, sentimos um vento gelado, aliás, geladíssimo de violência e de morte, que bate com dureza como uma bofetada no nosso rosto. É a cultura da morte, da violência, do roubo organizado por atacado ou por varejo. E tudo isso poderia nos desanimar, mas o profeta Sofonias, que é o profeta da esperança e da alegria, nos repete “não tenhas medo Jerusalém, e não se deixe cair os braços pelo desânimo. Acabou o tempo do terror despótico e da violência, está surgindo um novo tempo de alegria, de paz, de justiça e de amor”.

A vinda do Senhor, o Messias, porá fim a tudo isso. É a força da fé e da esperança que entra em jogo quando o mal tenta nos
desanimar. O mistério do Natal está escondido nestas palavras cheias de esperança e de amor. Deus não enviou o Seu Filho Jesus à toa e inutilmente, mas para ser força, fermento de uma mudança epocal e histórica no coração da humanidade. Um trabalho feito em mutirão, todos juntos. Se você cruzar os braços alguma coisa não vai funcionar e em algum lugar onde você vive não haverá a paz, porque você não cooperou.

Não deixar a angústia nos dominar

Paulo tem plena consciência de que não é possível fazer nada de bom sozinho, mas sempre unido a Cristo Jesus e unidos entre nós. É um trabalho em conjunto, de comunhão de forças, por isso que o apóstolo nos convida a fechar a porta para a angústia, o desânimo, as inúteis preocupações. Nós devemos fazer todo o possível no que estiver ao nosso alcance e depois deixar o Espírito agir em nós. A paz não é ausência de dificuldades, de conflitos, de guerras, mas sim a capacidade de superar tudo pelo caminho do amor e do diálogo sincero, que leva ao perdão e à vontade de recomeçar novamente, a caminhar juntos. Como é belo saber dizer “estou errado, vamos recomeçar”.

A paz nunca pode ser autêntica se é apenas de superfície. Ela deve abraçar todo o nosso pensamento e agir. Devemos caminhar de mãos dadas. O Natal é a resposta para os nossos problemas. Deus, na pessoa de Jesus, vem em nosso meio e nos dá a sua mão e coopera conosco e nos convida a cooperar com Ele e com os outros.

O que devemos fazer?

Diante da cultura da morte, da violência, da guerra, do mal, a pergunta que surge dentro de nós mesmos que não sabemos formular é a seguinte: o que podemos fazer diante de tudo isso? João Batista antes, e depois Jesus, nos dão respostas infalíveis: não resistir aos violentos com a mesma violência, porque aí criamos uma espiral de violência que nunca será vencida. Quem tem duas túnicas dê uma. Quem tem dois pães dê um, quem tem um pão que o reparta. Sempre. Vencer a onda do egoísmo e não se deixar abater pela nossa impotência. Não devemos maltratar ninguém e nem criar gangues de mafiosos que oprimem, mas devemos tomar o caminho da conversão e mudar de vida em todos os lugares e ambientes.

Podemos ficar de mãos e coração limpos, isentos do pecado e do mal. Às vezes, o mesmo Senhor nos coloca no meio do mal para que possamos fazer resplandecer o bem, Ele nos faz florescer na terra do mal para espalhar o perfume da bondade e do amor. Estamos perto do Natal, nascimento de vida nova. Toda criança que nasce fala de vida, todo pecador que se converte fala de santidade, de amor, de perdão e de paz.

Oração

Eis-me aqui, Senhor, chama-me, envia-me e não direi não. Não quero fugir do lugar que tu tens preparado para mim, quero florescer no meu deserto. Peço a Ti, Senhor, amor para amar, luz para ser luz, perdão para ser perdão e vida para ser vida. Amém.

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