20/03/2017

São José: O Santo Modelo

por Ricardo Santos

“Olha o que foi, meu bom José, se apaixonar pela donzela dentre todas a mais bela de toda sua Galiléia…”

São José, meu afetuoso pai, ponho-me para sempre sob a vossa proteção, considerai-me como vosso filho e preservai-me de todo pecado”. Com essas doces palavras, se inicia a consagração ao amantíssimo pai adotivo de Jesus. É impossível olhar para a imagem de São José e não perceber que, em seus braços, ele traz a salvação, não meramente pela simbologia da imagem, mas pelo testemunho que por ela passa. São José, o Santo do qual as virtudes agradam ao coração de Deus e, por meio disso, ele torna-se para nós um modelo de Santidade. Ele que foi escolhido pela pureza de seu coração, que em seu cajado brotaram lírios como sinal para Aquela seria a mãe do Salvador, a quem foi confiada a maior e a mais importante missão, depois da do próprio Jesus. A São José foi confiado o que seria a missão do próprio Deus na primeira pessoa da Santíssima Trindade, a de figura paterna do menino Jesus, (Lucas 4,22), sendo esse o maior título que um homem poderia ter, e foi isso que tornou esse simples homem um grande santo, um dos mais populares da Igreja.

A história sagrada nos apresenta São José como um homem humilde, justo, trabalhador do ramo da carpintaria (Mateus 13,55), que era da descendência do Rei Davi (Mateus 1,1-16 e Lucas 3,23-38). Nas poucas passagens bíblicas que o explicitam, o apresentam como esposo da Virgem Maria, mas biblicamente não sabemos tanto sobre a vida de São José, ele aparece nos livros dos evangelistas Lucas e Mateus, e esse pouco aparecer na Bíblia faz o intitularem como santo do silêncio.

Uma passagem que mostra a vida virtuosa e a bondade do coração de São José, é quando ele recebe a notícia da gravidez de Maria, embora deixando-o confuso, pois sabia que o menino que viria não era de sua carne, ele resolve deixar Maria silenciosamente para que ela não seja julgada pelas leis que regiam a época, pois ela seria apedrejada. Mas, na revelação dada no sonho (Mateus 1,19-25), ele, que era obediente a Deus, submisso plenamente à vontade de Deus, volta atrás na sua decisão, toma Maria como esposa e assume sua missão. A atitude de São José, antes de receber a revelação no sonho, mostra seu nobre coração, sua serenidade, pureza, compaixão e, logo depois, sua convicção ao tomar para si tamanha missão a ser cumprida.

São José tem várias titulações, dentre elas é um grande patrono da Igreja, sendo esse título dado pelo Papa Pio IX e celebrado em 19 de março, dia que se comemora o dia dos pais em vários países, pelo motivo de São José ser o pai adotivo de Jesus. O mesmo Papa concedeu indulgência parcial para aqueles que fizerem o mês dedicado a São José (encontraremos a preparação para esse mês de dedicação no devocionário a São José). Ele também pode ser comemorado no dia 1° de maio, que é o dia do trabalho, porém seu dia oficial é 19 de março. Outros títulos são atribuído a ele como, por exemplo, padroeiro das vocações, protetor dos trabalhadores, advogado dos lares cristãos, protetor dos agonizantes, enfim, São José traz em sua história uma rica contemplação de santidade que se fez por ter um coração puramente humilde e obediente a Deus.

São José é para nós modelo de  santidade, santidade que se concretizou por sua vida virtuosa, ele que é memorado por ser amantíssimo, castíssimo, puríssimo, fidelíssimo, glorioso, justo, trabalhador, obediente, submisso à vontade de Deus, que em seus vários aspectos é tomado como o santo que viveu na intimidade com Jesus, santo do abandono nas mãos de Deus, dócil instrumento na mão de Deus, Santo da Divina Providência, Santo que viveu em comunhão de vida e trabalho com Jesus, Santo esposo da Virgem Mãe de Deus, Santo do silêncio e Santo da boa morte, pois, em seus últimos momentos de vida terrena, teve a presença de Jesus e Maria.

São José deve ser tomado em memória não somente nos dias de sua festividade, mas no nosso cotidiano, afinal, se somos Igreja, devemos nos valer daquele que nos protege enquanto Igreja, se queremos ser castos devemos nos voltar para aquele que é sinal de castidade, se queremos ser puros devemos olhar para quem é ícone de pureza. Essas vontades são perenes na vida cristã, por isso a figura de São José deve estar constantemente em nosso coração, ele que também é um grande intercessor e foi referência para outros grandes santos, um deles a doutora da igreja, Santa Teresa de Ávila, que em sua autobiografia, Livro da vida, escreveu: “tomei por advogado e senhor o glorioso São José e muito me encomendei a ele (…) Não me recordo de ter suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, (…)”.

Temos de Deus um grande ícone, um referencial, um modelo de santidade, aprendamos com a história e o testemunho de vida de São José, não somente os homens, mas, sobretudo, eles. Inspiremo-nos a ser como ele, espelho da pureza que mostra a luz de Cristo. São José, que, com Maria, cuidou de Jesus, auxilia-nos a viver firmemente no chamado à santidade!

Que sempre possamos rezar: “São José, sede sempre meu espelho!”

Ricardo Santos

Aspirante na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Quixadá

 

Referências Bibliográficas:

COSTA ALMEIDA, Antônio de Pádua (Org.). Maneiras de Rezar o Terço. Edições Boa Semente. Quixeramobim.

DA SIILVA LIMA, Pe. Antônio Lúcio (Org.). Rezando com São José. 1.ed. São Paulo: PAULUS, 1995.

Devocionário a São José. 12°. ed. EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2011.

SANTA. Teresa d’Ávila. Livro da Vida. Vozes.

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