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20/02/2019

Saia dessa ressaca, fique sóbrio

Você sabia que o álcool mata mais que o trânsito, mais que o coração, mais que o câncer? Então fica o alerta no Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo 17 fevereiro 2019 Enquanto muitas drogas são encontradas e consumidas às escondidas, existe uma bem destacada em cada esquina, em cada boteco, em cada calçada: o […]

Você sabia que o álcool mata mais que o trânsito, mais que o coração, mais que o câncer? Então fica o alerta no Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo

Enquanto muitas drogas são encontradas e consumidas às escondidas, existe uma bem destacada em cada esquina, em cada boteco, em cada calçada: o álcool. Tudo começa, muitas vezes, na própria família, onde a criança pega o copo do pai e dá um gole, e todos acham que não tem muita importância; ou o pai, que bebe muito e a criança observa aquilo e toma como modelo para ela, seja para agradar, para agredir os pais (filhos não amados, “mal vistos”), ou para escapar da solidão ou de situações mal resolvidas.

Nossos jovens começam muito cedo: “Ah! Mas é só um chopinho…”; “Quem resiste a uma cervejinha estupidamente gelada?” “É só nos fins de semana. Isso não vicia!”. Mas será que alguém pode apontar um alcoólatra que tenha desenvolvido sua doença da noite para o dia? Se apontar, então o álcool do fim de semana não vicia, porque a doença do alcoolismo começa com um gole, e desenvolve-se ao longo de muitos dolorosos e angustiantes tragos.

Um “vício social”

Hoje em dia o álcool se torna cada vez mais um “vício social”. Toleram-se os embriagados entre risos e complacências; mais e mais jovens buscam no álcool um alívio para sua timidez, seus problemas pessoais, sua autoafirmação social. Ignoram completamente que o álcool, antes de resolver os problemas, está contribuindo para aumentá-los.

Os colégios e faculdades têm sempre um barzinho por perto. “Mais e mais jovens” dão uma escapulida” no recreio ou intervalo entre as aulas para” tomar uma”. O bate-papo com os amigos no shopping ou na feirinha, na praia ou no clube tem de começar sempre com um gole. Aos poucos, lá se vão os estudos e lá se complica sua vida pelo terror assassino do álcool.

A imagem que se vê é desoladora: pernas trôpegas, sorrisos disfarçados, língua pesada. A ressaca física não é melhor que a moral. E a famosa “ressaca moral” é tão difícil de suportar que só dando mais um traguinho. Pronto! Você caiu na armadilha. Entrou no ciclo vicioso e, embora possa até se achar tão “grande”, não passa de um trapo de gente…

Você pode estar pensando: “Ah! Sem essa! Que exagero! Então todo mundo é alcoólatra! Comigo nunca vai acontecer isso… Eu me conheço… Tenho força de vontade… Sei parar… Sem essa de moralismo… Você quer que eu seja diferente de todo mundo?”.

Veja bem: nem todas as pessoas que bebem tornam-se dependentes profundos da bebida. No entanto, todos se tornam dependentes em um nível. Uns a um nível meramente “social”, outros a um nível psicológico e químico.

A famosa “dependência química”

Os cientistas têm descoberto que o alcoolismo se instala devido ao desenvolvimento de uma enzima necessária para quebrar as moléculas do álcool. A ingestão de álcool faz com que o organismo produza maior quantidade desta enzima, que, por sua vez, provoca a carência do álcool que é responsável de digerir. Cria-se a famosa “dependência química”, que escraviza milhões de pessoas em todo o mundo, por toda uma vida.

Tem gente que só se sente bem, socialmente, se beber. É a insegurança e o medo resolvidos pelo meio “mágico” que tanto fascina o homem moderno. Não se pode sofrer. Sofrer é proibido. Superar suas próprias fraquezas por seu esforço pessoal é impensável. Há sempre um “remedinho”, um gole, um cigarro, algo bem ao alcance da mão para afastar o mal-estar, o sentir-se peixe fora d’água, a angústia. É assim que pensa o homem de hoje e, infelizmente, muitos jovens hoje…

Tem gente que ainda pensa que só se toma alcoólatra quem bebe demais, quem bebe todos os dias. Isto é um engano! Há alcoólatras de final de semana, há alcoólatras de segundas-feiras, há alcoólatras de escritório, há alcoólatras de escola. O alcoolismo não depende da frequência nem da quantidade. Depende dos efeitos que a bebida faz em você, do tempo em que você fica pensando nela, dos pretextos que você arranja para um gole, das ocasiões onde você só se sente bem se beber. Só que, quando estes sintomas se instalam, já fica difícil de você perceber o quanto se tomou dependente também psicologicamente do álcool e, a partir deste ponto, é muito difícil voltar atrás sozinho. Tem-se que procurar ajuda imediata!

Bebidas “light”

Tem gente, ainda, que pensa que só se torna alcoólatra quem bebe “bebida forte”. Hoje, dizem, há bebidas “light”, cervejas “light”, até refrigerantes e sucos “light”. Ao ler o próximo parágrafo, você vai perceber como e por que o organismo vai ter necessidade de algo sempre mais forte e que possa suprir suas necessidades químicas e psicológicas em menor tempo.

Das bebidas “light” você vai passar para uma maior quantidade de “lights”, que, por fim, não vão satisfazer a necessidade do seu organismo, que pede algo mais forte, mais pesado, que “resolva” seu problema em menos tempo. Da cerveja vai para o whisky, para o vinho, para a vodca, para a cana, que é mais barata e popular para o bolso do estudante. Daí, em poucos anos, é sarjeta.

Tem gente pouco esclarecida que ainda pensa que só se torna alcoólatra quem tem problemas na família, é meio “pirado”, meio carente, meio “mongol”. Nada disso. Se você já estudou um pouco de química sabe muito bem que não é preciso ser “mongol” para desenvolver uma dependência química. Ela pega você de jeito. Você pode não se tornar um alcoólatra de sarjeta, mas vai ser um pobre coitado que só se sente alguém se beber, que só se sente “no ponto” depois de um gole, um homem ou mulher fraca, sem personalidade, sem convicção, incapaz de planejar e dirigir a própria vida, escravo, um pobre escravo. Veja um pouco como se dá à química do álcool:

“O álcool é absorvido rapidamente pela corrente sanguínea, agindo sobre o encéfalo, alterando o equilíbrio, a coordenação motora e produzindo distúrbios na articulação da fala e do tônus muscular, produzindo, ainda, alteração do humor, da atenção, da percepção, da capacidade crítica, da memória”

Além deste pouquinho que foi dito aí em cima, cada vez que você bebe além da conta o álcool destrói milhares de células cerebrais e, você sabe, este tipo de célula não se repõe. Uma vez destruídas, para sempre destruídas. Você, certamente, não é pouco inteligente ao ponto de achar que alguns milhares de neurônios não fazem falta, não é verdade?

Aumento do número de jovens alcoólatras

O número de jovens alcoólatras aumenta assustadoramente. Ainda mais que no Brasil se vende bebida alcoólica a menores, com o maior descaramento e, se não beberem, os próprios pais fornecem em casa. Quando se vai perceber o problema, o mal já está instalado. Por vezes, o que não se manifestou na juventude vai manifestar-se após os vinte e cinco anos, quando, muitas vezes, o jovem já se casou e onde começa o drama e sofrimento de milhões de famílias no mundo inteiro.

O álcool mata mais que o trânsito, mais que o coração, mais que o câncer. No entanto, a pesquisa científica sobre o alcoolismo se arrasta. Não é do interesse dos que têm lucros formidáveis que estas pesquisas se desenvolvam. É preciso ter governos muito honestos e um povo que assuma muito bem os rumos do seu próprio país para ter a liberdade suficiente de pesquisar sem o peso do lucro. Sabe-se muito, muito pouco, no mundo inteiro sobre o álcool. Uma coisa, porém, é certa: qualquer pessoa, especialmente, o jovem, pode ser a vítima. É espantosa a porcentagem de alcoólatras que começaram a beber na juventude!

Consequências do alcoolismo

Convulsões, demência, diminuição do raciocínio e da inteligência, perda da memória, desequilíbrio psico-motor, pancreatites, diabetes, hipertensão arterial, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca, neurites, úlceras, gastrites, cirrose hepática, anomalias congênitas.

O álcool faz muito mal ao homem pois, além do que já se disse, pode acarretar ainda a impotência sexual, cirrose hepática, pancreatite e morte. À mulher, além dessas, no período da gravidez, o álcool prejudica o feto, que pode vir a ter problemas de má formação congênita.

Isto significa que você nunca pode beber? Não sei. Talvez sim, talvez não. Se você for um dependente químico em potencial, pode ser suficiente o primeiro trago. Se você não for um dependente químico em potencial, você poderá beber, como se diz “socialmente”, sem se exceder e viver toda a vida sem se tornar um dependente sério da droga. Se você for um dependente psicológico, você poderá vir a se tomar um dependente químico e aí tem início o infernal ciclo vicioso.

O que fazer?

Se você sente que começa a pensar demais na bebida, a associá-la, demasiadamente, a situações de sua vida, a vê-Ia como válvula de escape, de fuga, PROCURE AJUDA IMEDIATAMENTE. Não tente sair sozinho: Você não conseguiria. Deixe o orgulho de lado, mas saia dessa. O Álcool mata mesmo. Pior, mata você e todos os que o amam. Saia dessa, fique sóbrio.

Bibliografia consultada

ROCHA, Luiz Carlos. Jovem e droga. Ed. Loyola.São Paulo, 1988


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