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04/05/2020

O que fazes com o teu sofrimento?

Vejamos, em primeiro lugar, que o sofrimento é real. É palpável. Não escolhe quem vai atingir e nem está restrito a uma classe social específica. Todos enfrentarão − em algum momento da vida − momentos de dor, de angústia e de solidão.

O QUE FAZES COM O TEU SOFRIMENTO?

 

Nesse texto, querido leitor, quero convidá-lo a refletir um pouco acerca do sofrimento e os sentidos que podemos a ele atribuir. Você pode estar pensado: “Nossa! Mas não tem um tema mais interessante ou agradável que este não?”.

Respondo-lhe: Digamos que este tema é um tanto necessário. Uma vez que o sofrimento é inevitável. Se você e eu estamos vivos, logo teremos de passar por situações dolorosas. Portanto, é válido que gastemos um pouco do nosso tempo lendo e refletindo sobre isso.

Vejamos, em primeiro lugar, que o sofrimento é real. É palpável. Não escolhe quem vai atingir e nem está restrito a uma classe social específica. Todos enfrentarão − em algum momento da vida − momentos de dor, de angústia e de solidão. Trago esta consideração porque, diante da dor causada pela incerteza, pelo não êxito em algum projeto, dentre tantas outras situações que podem nos causar angústia, somos inclinados a nos questionar ou questionar a Deus – o que é pior –, da seguinte forma: “por que eu?”, ou ainda, “o que eu fiz para merecer isso?”.

São João Paulo II, na Carta Apostólica Salvifici Doloris, nos traz algumas luzes, que nos ajudam a compreender esta realidade a qual não podemos escapar. Ele vai dizer que, não é verdade que todo o sofrimento seja consequência da culpa e tenha caráter de castigo. E mais, que o sofrimento deve servir à conversão, isto é, à reconstrução do bem no sujeito que pode reconhecer a misericórdia divina neste chamamento à penitência.

Viktor E. Frakl, sobrevivente de quatro campos de concentração Nazista – daí podemos deduzir que se trata de um homem provado na dor –, traz em seu livro “Em Busca de Sentido” a seguinte reflexão: “Quando um homem descobre que seu destino lhe reservou um sofrimento, tem que ver nesse sofrimento também uma tarefa sua, única e original”. Ele fala, também, que “na maneira como suportamos o sofrimento está a possibilidade de uma realização única e singular”.

Diante destas duas visões, uma espiritual e outra humana, podemos observar que as duas expressam uma íntima relação entre o sofrimento – que ora se apresenta como algo imutávele nós, que temos a possibilidade de modificar a maneira a qual nos colocamos diante da dor.

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, em um determinado trecho, ao refletir sobre a passagem bíblica “felizes os que choram, porque serão consolados”, fala que, o mundo não quer chorar. Prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Isto me faz recordar do turbilhão de “lives-show” que tentam fazer as pessoas esquecerem a realidade em que estamos vivendo hoje.

O papa diz ainda que: “a pessoa que vendo as coisas como realmente estão, se deixa trespassar pela aflição e chora no seu coração, é capaz de alcançar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz”. De outra forma, da profunda angústia pode surgir uma profunda felicidade, se nos deixarmos ser consolados por Cristo, aquele que viveu a dolorosa Paixão.

Quando somos consolados pelo Cristo, ganhamos força para consolar a outros. Isto pode ser um sentido para o nosso sofrer, pois passamos a sentir que o outro é carne da nossa carne e não tememos em nos aproximar e tocar as suas feridas, seguindo o ensinamento de São Paulo: “Chorai com os que choram”.

Pois bem, meus irmãos, é um assunto profundo, não é mesmo? Espero que estas breves reflexões tenham alcançado seu coração. Que ao sentir-se abatido pelas angústias desse vale de lágrimas, você possa recordar as palavras de Jesus, que é, na verdade, uma promessa para nós: “Vinde a mim vós todos que estais aflitos sob o vosso fardo e eu vos aliviarei”.

 

Que Deus te abençoe e Maria te guarde!

Erilene Silva (Leninha)

Noviça da Dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Icó

1 Comentário
  1. Jéssica de Sousa disse:

    Bem providente para esse tempo e para mim em particular…
    Que a docilidade do Espírito Santo nos envolva para que possamos perseverar, com sabedoria, o caminho de espinhos…

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