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28/02/2020

O que é  Quaresma?

 “Período de penitência do ano litúrgico da Igreja, começando na Quarta-feira de Cinzas e terminando com a missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira da Semana Santa. Ela compreende seis Domingos, dos quais o sexto é chamado Domingo da Paixão (ou Domingo de Ramos) e marca o início da Semana Santa. A Quaresma é um […]

 “Período de penitência do ano litúrgico da Igreja, começando na Quarta-feira de Cinzas e terminando com a missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira da Semana Santa. Ela compreende seis Domingos, dos quais o sexto é chamado Domingo da Paixão (ou Domingo de Ramos) e marca o início da Semana Santa. A Quaresma é um tempo de Penitência para toda Igreja Universal. O jejum e abstinência devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas  e na Sexta-feira Santa. A Quaresma é  também um período no qual se dá ênfase à oração, à administração dos sacramentos e a prática da caridade” ( Daniel L. Lowery – Dicionário  Católico Básico, p. 126). Nestes quarenta dias, somos convidados a adentrar com Jesus pelo deserto.  Através do jejum , oração e esmola.

“De fato observou o santo padre o Papa Francisco, a Quaresma foi instituída na Igreja como tempo de preparação para a Páscoa, e portanto,  faz todo  sentido este  período de quarenta dias que termina no Tríduo Pascal e tem no mistério Pascal a sua fonte de luz e ao qual está orientado. Podemos imaginar o Senhor Ressuscitado que nos chama a sair das nossas trevas e caminharmos em direção à Ele, que é a Luz. A Quaresma é um período de penitência, também de mortificação, mas não um fim em si mesmo; tem a finalidade de fazer-nos ressuscitar com Cristo, a renovar a nossa identidade batismal, isto é, a renascer novamente ‘do alto’ no amor de Deus. Eis porque a Quaresma é por sua natureza um tempo de esperança”(Papa Francisco,  Audiência Geral – dia 01/03/17)

É período propício para nos voltarmos para nós mesmos e fazermos uma reflexão de nossas ações. Tempo de  nos convertermos de fato. E com profunda sinceridade ouvir o apelo do Senhor que nos convida: “voltai a mim de todo coração com jejuns, prantos e lamentações. Rasgai vossos corações, não as vossas vestes, e voltai ao Senhor vosso DEUS “ (Jl 2,13).

O próprio Jesus nos indica como viver bem a Quaresma. Como praticar os três pilares próprios desse tempo os quais são a esmola, jejum e oração.  Para a prática da esmola, Ele adverte: “Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens para atrair os seus olhares; do contrário, não haverá nenhuma recompensa para vós da parte do vosso pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, tendo em vista a glória que vem dos homens. Em verdade, eu vos declaro: eles já receberam sua recompensa. Quanto à ti, ao dares esmola, ignore tua mão esquerda o que faz a tua mão direita, a fim de que tua esmola fique em segredo e o teu pai que vê no Segredo te retribuirá” (MT 6,1-4). Que não tenhamos a pretensão de reduzir a esmola como única prática de caridade. Todas as formas de caridade são bem vindas o ano inteiro, mais especialmente neste período da Quaresma. Visto que: “a caridade é a rainha das virtudes. Assim como as pérolas são mantidas juntas por um fio que as sustenta, assim também as demais virtudes estão presas à  caridade. Se o fio se arrebenta, as pérolas caem; se a caridade diminui, ou se rompe, as outras virtudes se dispersam.” (São Pio de Pietrelcina). “… tende um constante amor uns para com os outros, porque a caridade cobre uma multidão de pecados.” (1Pd 4,8) E  mais ”Como à água apaga o fogo crepitante, assim a esmola apaga os pecados “(Eclo 3,30).

Para o jejum Ele recomenda: “Quando jejuares, não tomeis um ar sombrio, como fazem os hipócritas: eles assumem uma fisionomia para mostrar claramente aos homens que estão jejuando. Em verdade vos declaro: já receberam sua recompensa. Quanto  à ti, quando jejuares,  perfuma tua cabeça e lava o teu rosto, para não mostrares aos homens que estas jejuando, mas tão só ao teu Pai, que vê no segredo,  te retribuirá” Mt 6,16-18). O jejum que devemos fazer e que agrada a Deus: “acaso não é este: desatar os laços provenientes da maldade, desamarrar as correias do jugo, dar liberdade aos que estavam curvados, em suma, que despedaceis todos os jugos? Não é partilhar o teu pão com o faminto? E ainda: os pobres sem abrigo, tu os abrigaras; se vires alguém nu, cobri-lo-ás: diante daquele que é a tua própria carne, não te recusará…”(Is 58, 6-8ss).

 No tocante a oração  Ele faz a seguinte afirmação: “E quando rezardes, não sejais como os hipócritas que gostam de fazer suas orações de pé  nas sinagogas e nas esquinas, A fim de serem vistos pelos homens. Em verdade,  Eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quanto à ti, quando quiseres orar, entra em teu quarto mais retirado, tranca a tua porta, e dirige a tua oração ao teu Pai que está ali, no segredo. E teu Pai, que vê no segredo, retribuirá. “ ( Mt 6, 5-8 ). Sem dúvidas nenhuma, está é a prática que muito agrada a Deus. Visto que foi praticado intensamente por Jesus. Os evangelhos muitas vezes o apresentam orando: quando o Pai revela sua missão  (Lc 3, 21-22), antes de chamar os apóstolos  (Lc 6, 12), ao bendizer a Deus na multiplicação dos pães  (Mt 14, 19; 15, 36; Mc 6, 41; 8, 7; Lc 9, 16; Jo 6, 11), ao se transfigurar no Monte  (Lc 9,28-29), quando cura o surdo-mudo (Mc 7, 34), e ressuscita  Lázaro  (Jo 11, 41ss), antes de solicitar a confissão de Pedro  (Lc 9, 18), antes de ensinar aos discípulos como devem  orar (Lc 11, 1), quando os discípulos voltam da missão (Mt 11, 25s; Lc 10, 21s), ao abençoar as crianças  (Mt 19, 13), e quando roga por Pedro  (Lc 22,32). Sua atividade cotidiana está muito ligada a oração. Mais ainda, como que brotava dela, retirando-se ao deserto e ao Monte para orar  (Mc 1, 35; 6, 46; Lc 5, 15; cf. Mt 4,1; 14,23), levantando-se muito cedo (Mc 1, 35), ou permanecendo até a quarta vigília  (Mt 14, 23.25; Mc 6, 46.48), e passando a noite em oração a Deus  (Lc 6, 12). Além disso, fundadamente se supõe que Ele mesmo tenha tomado parte nas preces que publicamente se faziam nas sinagogas, aonde entrou em dia de sábado, ‘segundo o costume ‘(Lc 4, 16), nas preces do templo, que Ele chamou casa de oração  (Mt 21, 13s). Não só, mas também nas preces que os israelitas piedosos costumam fazer individualmente todos os dias. Proferiu também as tradicionais ações de graças a Deus sobre os alimentos como é referido expressamente na multiplicação dos pães  (Mt 14, 19; 15,36s), em sua última ceia  (Mt 26, 26ss), e na ceia de Emaús (Lc 24, 30). Também cantou com seus discípulos o hino  (Mt 26, 30s). Até o fim da vida, já próximo da Paixão  (Jo 12, 27s), na última ceia  (Jo 17, 1-26), em sua agonia  (Mt 26, 36-44s), e na cruz  (Lc 23, 34-46; Mt 27, 46; Mc 15, 34), o Divino Mestre nós ensina que a oração foi sempre a alma de seu ministério messiânico e do termo pascal da sua vida. Ele de fato, ‘ nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte. Foi atendido por causa de sua entrega a Deus ‘ (Hb 5, 7). Com sua oblação perfeita no altar da Cruz, ‘ levou à  perfeição definitiva os que Ele santifica ‘ (Hb 10, 14). Finalmente, ressuscitado dentre os mortos, vive e ora constantemente por nós  (Hb 7, 25)” (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n° 4). Ora! Se Jesus rezou e rezou muito em todas as situações,  imagine nós como devemos rezar também. Afinal como bem disse o grande Santo Afonso de Ligorio: “ quem reza, vence; quem não rezar já está vencido”. Bem resumiu São Simão de Rojas: “ a oração é forte arma da alma “.

Por isso rezo: “Ó meu amabilíssimo Redentor, consenti que eu una a minha salutar abstinência com a que Vós com tanto rigor por mim quisestes observar no deserto. Consenti também que nesta união eu a ofereça a vosso Pai divino, como protestação de minha obediência à Igreja, em desconto de meus pecados, pela conversão dos pecadores e em sufrágio das almas santas no purgatório. Tenho intenção de renovar esta oferta todos os dias da Quaresma. Vós, porém, ó Senhor, concedei-me a graça de começar este solene jejum com devida piedade e de continuá-lo com devoção constante, afim de que, chegada a Páscoa, depois de ter ressurgido convosco para a vida da graça, seja digno de ressuscitar também para a vida da glória. Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.” (Santo Afonso Maria Ligório ) Amém.

                                                                                                                                                                                          Antonio Gomes Pimenta  Consagrado de Aliança

Coordenador do Ministério de oração por cura e libertação                                                                               Missão Quixeramobim

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