01/02/2018

O bom humor de São João Bosco

por Por Angela Barroso / Shalom

Italiano, São João Bosco, desde muito jovem era inteligente, tinha um espírito imensamente contagiante e uma memória que o favorecia. Dinâmico, as pessoas se encantavam com ele e por suas ações. Sua vivacidade e a espontaneidade próprios da “mágica”, que aprendeu ainda criança, era um recurso para conquistar amigos. Anos depois, trabalhando com os jovens, […]

Italiano, São João Bosco, desde muito jovem era inteligente, tinha um espírito imensamente contagiante e uma memória que o favorecia. Dinâmico, as pessoas se encantavam com ele e por suas ações. Sua vivacidade e a espontaneidade próprios da “mágica”, que aprendeu ainda criança, era um recurso para conquistar amigos. Anos depois, trabalhando com os jovens, já sacerdote, tinha a capacidade de os atrair, usando dos truques, e persuadi-los a frequentarem as práticas de piedade e a encaminhá-los para um mundo de valores. Com a “mágica”, ele despertava a curiosidade de todos. Por meio do lúdico, Dom Bosco que viveu de 1815 – 1888, comunicava valores por onde passava.

Em seus escritos, o santo amigo do céu, que comemoramos hoje, fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales e proclamado santo em 1934, tinha a capacidade em fazer desaparecer objetos e trazê-los de volta e trocar água por vinho e vice-versa. O “Pai e Mestre da Juventude”, conta em um de seus 150 livros, com muito bom humor, um fato curioso que ocorreu em sua vida cheia de desafios e aventuras.

No início de sua carreira como “ilusionista”, ficando muito famoso, certa pessoa de sua cidade começou a desconfiar que vinha da parte do demônio tais brincadeiras do garoto, o que fez o pároco da região, ter uma conversinha a respeito do assunto com João Bosco, que nos narra a história:

“Esse Cônego era muito instruído, piedoso e prudente; sem dizer nada a ninguém, chamou-me para uma conversa pessoal. Cheguei a sua casa no momento em que ele rezava o Breviário. Olhando-me sorridente fez sinal para que esperasse um pouco. Por fim me disse que o seguisse até a salinha e, uma vez ali, começou a me interrogar de modo cortês, mas com aspecto severo:

– Estou muito contente, meu filho, com a tua aplicação e com a conduta que que tiveste até agora; mas tenho ouvido comentários a teu respeito… Dizem que descobres pensamentos alheios, que advinhas o dinheiro que os outros têm no bolso, que fazes ver branco o que é preto, que conheces fatos que se passam longe de ti, e outras coisas do gênero. Por isso falam muito de ti e já houve quem suspeitasse de que tu te serves de bruxedos, que satanás tem parte no que fazes… Conta, pois, quem te ensinou essa ciência. Onde a aprendeste? Diz tudo em confiança: eu te asseguro que não me servirei disso senão para o teu bem.

Sem me perturbar em nenhum momento, pedi-lhe cinco minutos de tempo para responder. E o convidei a que me dissesse a hora exata. Enfiou a mão no bolso e não encontrou o relógio.

– Se o Sr. Não tem relógio, acrescentei, dê-me uma moedinha de cinco centavos.

– Patife! Gritou furioso, ou tu serves ao demônio ou é o demônio que te serve a ti! Roubaste-me a carteira e o relógio! Agora já não posso ficar calado, sou obrigado a te denunciar, e ainda não sei como me contenho para não te dar aqui mesmo uma sova!

Mas, vendo que eu estava tranquilo e sorridente, acalmou-se um pouco e disse:
– Vamos com calma, explica direito esses mistérios: como foi que o relógio e a carteira saíram do meu bolso sem eu perceber? Onde é que eles foram parar?

– Senhor Cônego, comecei a dizer respeitosamente, vou explicar em poucas palavras: tudo não passa de habilidade manual, ou conhecimento prévio, ou coisa preparada.

– Mas que conhecimento prévio pode haver com o meu relógio e a minha carteira?

– Já explico: ao chegar à sua casa, o Sr. Estava dando uma esmola a uma pessoa necessitada, e por distração deixou a carteira sobre o móvel. Ao passar em seguida a outro aposento, deixou o relógio sobre a mesinha. Eu escondi os dois, e enquanto o Sr. pensava que levava os objetos, eu os coloquei debaixo daquela toalha.

E, dizendo isto, levantei a toalha e efetivamente apareceram os dois objetos que ele supunha terem sido levados pelo demônio.

O bom Cônego deu uma risada e quis que eu realizasse na frente dele alguns outros truques desses. Quando soube o modo como eu fazia, aparecer e desaparecer as coisas, ficou muito contente, me deu um presentinho e concluiu assim:
– Vai e diz a teus amigos que ignorantia est magistral admirationis (a ignorância é a mestra da admiração).*

São João Bosco, rogai por nós!

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