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23/03/2020

Mundo alegre, Cristãos tristes?  

Antes de sairmos por aí julgando os cristãos como tristes e os mundanos como felizes, precisamos compreender o que está acontecendo, pois como nos fala a Palavra de Deus “o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16, 7).

Pode ser que não, mas penso que sim… você já viu alguma situação em que um cristão parece infeliz e uma pessoa do mundo realizada? Estou enganado? Talvez o contrário possa ter acontecido. Vamos descobrir então o que ocorre?

Não nos precipitemos…

Antes de sairmos por aí julgando os cristãos como tristes e os mundanos como felizes, precisamos compreender o que está acontecendo, pois como nos fala a Palavra de Deus “o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16, 7). Por isso, Jesus nos alerta para não julgarmos os outros, pois futuramente pode acontecer o mesmo conosco. O fato de um cristão estar aparentemente triste não quer dizer que ele é infeliz e o mesmo se aplica ao mundo. Só o Senhor conhece os corações e a Ele é devido o julgamento.

 

Mas… existem cristãos tristes?

           

Acontece que há cristãos que parecem tristes a toda hora, e isso incomoda muito. Parece até que nós não somos felizes ou realizados como cristãos. O padre Amedeo Cencini em seu livro A alegria, sal da vida cristã traz-nos uma importante afirmação na página 7: “(…) quem tem fé deveria igualmente conhecer bem a alegria e os motivos da alegria”. E por que andamos tão tristes? Que Espírito nos move? É o Espírito Santo ou, como diria o cantor católico Luiz Carvalho, o “espírito de porco”?

Temos muitos motivos para sermos felizes como cristãos. Penso que o que nos leva muitas vezes a ficar tristes é que não nos recordamos das maravilhas que Deus faz em nossa vida a todo instante. Precisamos pedir à Nossa Senhora que ela nos ajude a sermos como ela, que meditava todas as coisas em seu coração, e naquele Magnificat canta as maravilhas de Deus. Ao chegar perto de Isabel, faz a criança que está em seu ventre vibrar de alegria, pois Maria estava cheia do Espírito Santo.

No Estatuto da Comunidade Mariana Boa Semente (ECMBS), há um trecho bem interessante que nos fala da “tristeza fecunda” que gera a “alegria perene”. E logo adiante um outro que diz: “Pode parecer incoerência passar pela tristeza e pela dor se somos ministros da alegria. Porém, quando estamos unidos ao Senhor, fiéis à vontade do Pai, o nosso sofrimento torna-se canal de alegria para muitos”. Isso explica o fato de que a alegria está presente em um coração que busca viver a vontade de Deus, e muitas vezes ela irá passar por momentos de purificação, para que permaneça cada vez mais firme na rocha em que foi construída: Deus.

Para fundamentar ainda mais este artigo, trago a palavra do Papa Francisco (posso até chamar de o promotor da alegria de nossos tempos), presente em sua exortação apostólica Evangeli Gaudium, que nos diz:

 Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: “A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (…) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm 3, 17.21-23.26).

           

Alegrai-vos e exultai

Jesus nos ensina no Sermão da Montanha a alegria verdadeira. Porém, aos olhos do mundo, ela não é definida de forma alguma como alegria, ao contrário, é uma tristeza profunda. O Senhor vem nos ensinar, no entanto, que a felicidade acontece quando não procuramos a nossa consolação neste mundo, mas esperamos que Ele mesmo nos console, e para isso sofremos no momento presente expectantes pela alegria futura, que já é manifesta desde agora.

Sobre as bem-aventuranças, o Papa Francisco escreveu uma exortação apostólica denominada Alegrai-vos e exultai, e ela nos fala que “a palavra ‘feliz’ ou ‘bem-aventurado’ torna-se sinônimo de ‘santo’, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade” (nº 64). Essa é a alegria que nunca passou, não passa e nem passará!

     Diante disso tudo que meditamos, precisamos compreender que a nossa alegria como cristãos é muito diferente da alegria do mundo, e que sorrir nem sempre quer dizer felicidade verdadeira, pois esta ultrapassa os limites de um sorriso; utiliza-se dele, é claro, como uma das formas de sua manifestação, mas este não é o único modo, pois as lágrimas também manifestam alegria em várias situações, mesmo sendo característica muito presente em uma pessoa triste. Enfim, que o Espírito Santo que move os nossos corações nos faça transbordar de alegria, da alegria perene que nem as dificuldades ou tribulações podem extinguir. Que Deus te abençoe e Maria te guarde!

 

Gessé Cosmo

Consagrado na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Pedra Branca

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