09/10/2014

“Medida que não se mede”, por Emmir Nogueira

por Comunidade Shalom

O que a experiência nos ensina é que Deus, por vezes, demora, sim, a atender às nossas orações, mesmo quando a resposta dele será positiva!

É verdade que Deus sempre escuta nossas orações? É verdadeira a canção cuja letra diz que Deus sempre responde às nossas orações, dizendo algumas vezes “sim”, outras vezes “não” e outras “espere mais um pouco”?

O que a experiência nos ensina é que Deus, por vezes, demora, sim, a atender às nossas orações, mesmo quando a resposta dele será positiva! Isso sempre me “encucou” e a resposta que encontrava era que deveria aguardar o “tempo de Deus”, esperando e confiando até que chegasse o tempo propício.

Claro, essa leitura é bíblica e verdadeira. Entretanto, no próprio Evangelho, Jesus nos ensina, com a parábola da viúva importunadora, que é necessário pedir insistentemente, sem desistir, até que a graça seja alcançada. Os santos têm em sua vida vários exemplos dessa insistência atendida. Santa Mônica que o diga!

Em seu encontro com a mulher síria e com o cego que passou a enxergar homens como árvores, Jesus mesmo espera a insistência de ambos para atendê-los. Será que não poderia ter curado o cego de uma vez, sem passar pela etapa dos “homens que andam como árvores”? Seria concebível que quisesse humilhar a mulher sírio-fenícia ao compará-la aos cachorrinhos?

Encontrei a resposta em homilia do Pe. Antonio Furtado, por ocasião do Encontro Geral da Obra Shalom, na qual citou o seguinte pensamento de São Tomás de Aquino: “A oração de petição ocupa lugar muito importante na vida dos homens.

Ainda que o Senhor nos conceda muitos dons e benefícios sem os termos pedido, decidiu conceder-nos outras graças mediante nossa oração ou a oração daqueles que se encontram mais perto Dele. São Tomás ensina que nossa petição não tem por fim mudar a vontade divina, mas obter o que o Senhor já tinha determinado conceder-nos se lho pedíssemos.

Por isso é necessário pedir incansavelmente, pois não sabemos qual é a medida da oração que Deus espera que preenchamos para nos conceder o que nos quer conceder (…) São Tomás de Aquino explica que uma das causas pelas quais Jesus não respondeu imediatamente à cananeia foi porque Ele queria que os discípulos intercedessem por ela, para nos mostrar como é necessária a intercessão dos santos para alcançamos algumas coisas.”

Vamos por partes:

1.    A oração de petição (intercessão) ocupa lugar muito importante na vida dos homens.  Assusta-me encontrar alguém que faz parte do ministério de intercessão dizendo: “É … fui colocado ali porque não tenho mais como fazer muitas coisas …”, como se a intercessão fosse descartável, ou de segunda categoria, ou ainda para os fracos, doentes, incapazes. A razão para a intercessão ter importância central na vida dos homens é clara: Deus nos concede inúmeros benefícios sem que os tenhamos pedido, mas decidiu conceder-nos outros através de nossa oração de petição e da oração de intercessão dos irmãos. Espantoso o quanto o Senhor valoriza a petição de “dois ou mais”!
2.    Nossa petição não tem por fim mudar a vontade divina, mas obter o que o Senhor já tinha determinado conceder-nos pedíssemos a Ele! Veja bem: a importância da oração de petição, de intercessão, é tão imensa, que  Deus coloca uma condição para a graça nos ser concedida ainda que Sua vontade já se tenha determinado a no-la conceder!
3.    Eis porque é necessário pedir incansavelmente, pois não sabemos qual é a medida da oração que Deus espera que preenchamos para nos conceder o que nos quer conceder. Ocorre que é uma medida sem medida, uma vez que Deus e Suas graças são imensuráveis. Quanto do “nosso tempo” e de nossa insistente oração serão necessários para preencher essa medida? Só Deus sabe!

O que sabemos, pela Palavra e Magistério, é que é necessário pedir, pedir sempre, insistentemente, incansavelmente, com fé, com humildade, com perseverança, com esperança. Sabemos também que a petição em favor de outra pessoa tem valor inestimável – uma vez que à oração se soma a caridade – e que quanto mais pessoas aqui na terra e santos no céu rezando, melhor! A “medida” vai ser preenchida com mais “rapidez”.

Por vezes me vem o pensamento meio infantil de que o Senhor faz isso porque é O Humilde e não dispensa nossa colaboração, ainda que ínfima. Faz pensar a humildade de São João Maria Vianney, que mandava as pessoas para o altar de Santa Filomena, como se as graças fossem conseguidas pela intercessão dela e não da dele. Porém, isso não passa de um pensamento meio maluco que me faz pensar nos mistérios que cercam a oração de petição. Entristeço-me ao ver pessoas que, há anos, oram por seus queridos e, desanimadas, culpam-se achando que não foram atendidas por falta de fé, ou por orgulho quando pode ser simplesmente que ainda não tenham atingido a “medida sem medida”.

Outros, perguntam, confusos: “Mas será que Deus não quer a conversão dessa pessoa? Será que Deus não tem um jeito de atingir essa pessoa resistente?” Claro que Deus pode tudo e, claro – é verdade de fé atestada pelas Escrituras – que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele viva! Jesus deu Sua vida para isso e não há ninguém em nenhum tempo que não seja alcançado por Seu amor. O que acontece é que, em Sua infinita sabedoria, o Senhor decidiu nos santificar através da oração de intercessão, prática importantíssima da caridade cristã.

Também quanto aos povos e países, também quanto ao Brasil, há uma medida a ser preenchida. É fundamental pedirmos insistentemente ao Senhor que, nas próximas eleições, o maior país católico do mundo continue a sê-lo não só oficialmente, mas também em mentalidade e verdadeiro progresso: o interior! Está nos corações intercessores o segredo para a paz entre os povos, entre os países, a derrocada das ideologias e a evangelização do mundo inteiro. Quanta e quão bela responsabilidade tem o intercessor!

Em tudo isso, porém, temos o auxílio eficaz da Intercessão Onipotente. Antes mesmo que nos demos conta, ela percebe nossa necessidade e a apresenta ao Filho, apressando Sua ação. Eis porque o terço, o rosário, os milhões de intercessores que, consagrados a Nossa Senhora, colocam em suas mãos suas orações e penitências para que ela as distribua aos necessitados, são enorme e indispensável ajuda, tesouro nas mãos da Dispensadora de todas as graças!

Antes de fechar esse Entrelinhas desejo, de todo o coração e em nome de toda a humanidade, agradecer aosintercessores que, noite e dia se revezam diante do Santíssimo Sacramento, aos pés do Senhor e de Nossa Senhora ajudando a todos nós – especialmente os moribundos e os mais necessitados – a vermos preenchida a medida que não se mede” e que conquista todos os tesouros das graças do céu!

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Maria Emmir Nogueira

Fonte: Revista Shalom Maná

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