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05/10/2020

Mas afinal, você sabe qual é a mensagem da Divina Misericórdia?

As aparições de Nosso Senhor a Santa Faustina ocorrem exatamente no momento em que se agravava acrise política, econômica, social e humanitária em diversas partes do mundo. Ela é, portanto, muito atual. 4 outubro 2020 Entre os anos de 1931 a 1938, o próprio Jesus quis se revelar a uma humilde religiosa polonesa, Santa Faustina […]

As aparições de Nosso Senhor a Santa Faustina ocorrem exatamente no momento em que se agravava acrise política, econômica, social e humanitária em diversas partes do mundo. Ela é, portanto, muito atual.

Entre os anos de 1931 a 1938, o próprio Jesus quis se revelar a uma humilde religiosa polonesa, Santa Faustina Kowalska, recordando-lhe – através de visões e alocuções – a centralidade do mistério do amor misericordioso de Deus para como mundo e a humanidade, especialmente aos pecadores, sofredores e agonizantes, através da mensagem da sua divina misericórdia

Ele mostrou também qual deve ser a resposta de cada ser humano a tão grande generosidade, a qual inclui algumas novas formas de culto e devoção.

Em linhas gerais, podemos afirmar que toda a história da salvação está marcada pela revelação de um Deus que não pactua com o mal (o pecado, a soberba, a mentira, o ódio etc.), mas que vence o mal pelo bem, ou seja, com seu amor misericordioso para com o pecador.

Assim, nas Sagradas Escrituras, por exemplo em Êx34, 4-7 – Moisés descobre que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó é clemente e misericordioso; em Sl 136 – o povo de Deus canta sem cessar a misericórdia do Senhor; em Os 11,8 – os profetas recordam que o coração paterno de Deus se “contorce” pelos seus filhos; em Eclo 18,13 – a verdadeira sabedoria nos faz descobrir que a misericórdia divina envolve todos os seres humanos.

Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus assume a natureza humana para nos salvar e santificar, manifestando de modo pleno e definitivo – pela sua vida e Palavra – a divina misericórdia. Tudo isso estimula São Paulo a narrar toda a ação divina em nosso favor à luz da misericórdia (Tt 3,4-7).

A tradição cristã posterior (S. Agostinho, S. Tomás de Aquino, Sta. Catarina de Sena, Sta. Terezinha do Menino Jesus etc.), constantemente haveria de atestar que a misericórdia é a manifestação mais excelente do amor divino, revelando de modo extraordinário o seu poder (cf. S. Tomás, Ad Eph. 2,4, lect. 2, nn.85s).

Em nossos tempos, se fazia necessário recordar ao mundo esta maravilhosa verdade. Enfermidades, catástrofes, e conflitos, têm deixado em nosso planeta um rastro terrível, quase sempre indelével.

As aparições de Nosso Senhor a Santa Faustina ocorrem exatamente no momento em que se agravava acrise política, econômica, social e militar em diversas partes do mundo – haja visto que a queda da bolsa de valores de Nova Iorque se dera em 1929 (gerando uma queda vertiginosa no produto mundial), e que exatamente na década de 30 se deu a ascensão de Hitler ao poder alemão (1933) e o início da II Guerra Mundial em 1939 (menos de 1 ano após a morte de Santa Faustina).

A leitura das mensagens de Jesus a Santa Faustina registradas em seu Diário – e também em suas cartas – nos revelam uma certa inquietação da parte de Jesus.

O culto e o apostolado da divina misericórdia querem, de algum modo, preparar a humanidade para o encontro definitivo com Cristo, e por isso Ele próprio afirma que está prolongando em nosso favor o “tempo da Misericórdia” (D. 1160).

Noutra ocasião declara: “Antes de vir como justo Juiz, abro de parem par as portas da Minha misericórdia” (D. 1146; cf. 1728). Mais enfáticas são as seguintes declarações: “Minha filha, fala ao mundo da Minha misericórdia, que toda a humanidade conheça a Minha insondável misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos; depois dele virá o dia da justiça” (D. 848); “Estou dando à Humanidade a última tábua da salvação, isto é, o refúgio na Minha misericórdia” (D. 998; cf. 1228).

Entre os novos elementos de devoção e apostolado propostos por Santa Faustina, a Festa e o Terço da Misericórdia são vistos explicitamente como “última tábua de salvação” para a humanidade pecadora (D 965; 687), bem como uma nova comunidade religiosa feminina, cujas consagradas “prepararão o mundo para a última vinda de Cristo” (D 1155).

Uma das descrições contidas no Diário faz ecoar o sinal prometido por Jesus em Lc 22,30, que para muitos Padres da Igreja se refere à sua Santa Cruz:

“Escreve isto: Antes de vir como justo Juiz, venho como Reida Misericórdia. Antes de vir o dia da justiça, nos céus será dado aos homens este sinal: Apagar-se-á toda a luz no céu e haverá uma grande escuridão sobre a Terra. Então aparecerá o sinal da Cruz no céu, e dos orifícios, onde foram pregadas as mãos e os pés do Salvador sairão grandes luzes, que, por algum tempo, iluminarão a Terra. Isto acontecerá pouco antes do último dia” (D. 83).

 O tom profético-apocalíptico se encontra presente em diversas páginas dos escritos da santa polonesa, por vezes de modo surpreendente: “Prepararás o mundo para a Minha última Vinda” (D. 429); “Vossa vida deve ser semelhante à Minha: – é Maria Santíssima quem lhe fala – silenciosa e oculta, continuamente unida a Deus, em súplica pela humanidade e a preparar o mundo para a segunda vinda de Deus” (D. 625; cf. 635).

O Diário alude também a um personagem misterioso que haveria de provir também das terras polonesas, tornando-se um farol para a humanidade: “Amo a Polônia de maneira especial e, se ela for obediente à Minha vontade, Eu a elevarei em poder e santidade. Dela sairá a centelha que preparará o mundo para a Minha Vinda derradeira” (D.1732).

Muitos consideram o Papa João Paulo II, grande promotor da mensagem da divina misericórdia, como aquele que cumpriu essa profecia.

Como Arcebispo de Cracóvia, o futuro papa introduziu a causa de canonização da Irmã Faustina. Com coragem, a defendeu quando sua ortodoxia foi questionada, em grande parte, devido à má tradução em italiano do seu Diário.

Estimulou o Padre Ignacy Rosycki, teólogo polonês, a preparar um estudo definitivo sobre os escritos e as virtudes heroicas da religiosa polonesa, que foi decisivo para que a Igreja a reconhecesse oficialmente como santa.

Como Papa, João Paulo II escreveu três importantes encíclicas que formam uma espécie de tríptico: O Redentor do homem – na qual destaca Jesus Cristo como o centro da história e do universo; Rico em misericórdia – o Filho de Deus feito homem nos revela definitivamente a misericórdia do Pai, única esperança de paz para o mundo; Senhor e doador da vida – o Espírito Santo é o único capaz de nos libertar do ateísmo prático (cf. Kosicki, George W., John Paul II: the Great Mercy Pope, Marian Press, Stock bridge-MA, 2001, p.22).

“Não há nada que o ser humano necessite mais do que a Divina Misericórdia”, afirmou João Paulo II no Santuário da Divina Misericórdia em Lagiewniki, perto de Cracóvia, onde estão as relíquias de Santa Faustina (7/06/1997).

Este caráter de urgência que acompanha a mensagem da divina misericórdia foi expresso pelo Papa João Paulo II em outras ocasiões, como por exemplo, na Homilia durante a Missa da Beatificação da então Irmã Faustina, no dia 18/04/1993, cujo n. 6 vale a pena reproduzir:

“Óh Faustina […], Cristo te escolheu para recordar às pessoas o grande mistério da divina misericórdia. […] este mistério se tornou verdadeiramente um grito profético dirigido ao mundo e à Europa. A tua mensagem da divina misericórdia nasceu praticamente quase na vigília do assustador cataclisma da segunda guerra mundial. […] “Sinto claramente que a minha missão não termina com a morte, mas inicia…”, escreveu Irmã Faustina no seu Diário. E assim verdadeiramente aconteceu! A sua missão continua e está trazendo frutos surpreendentes. É verdadeiramente maravilhoso o modo pelo qual a sua devoção a Jesus Misericordioso avança no mundo contemporâneo e conquista tantos corações humanos! Isto é sem dúvida um sinal dos tempos – um sinal do nosso século XX. Um balanço deste século que declina apresenta, além das conquistas, que muitas vezes superaram aquelas das épocas precedentes, também uma profunda inquietação e medo a respeito do porvir. Onde, portanto, se não na divina misericórdia, o mundo pode encontrar o refúgio e a luz da esperança?”

A Festa da Divina Misericórdia

A festa foi instituída através do decreto da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, em 23 de maio de 2000, durante o papado de São João Paulo II, a partir das revelações de Jesus à Santa Faustina. A celebração passou, portanto, a ser intitulada Domingo da Divina Misericórdia, a ser sempre celebrada por toda a Igreja no domingo seguinte à Páscoa.

Neste dia, a Igreja concede indulgência plenária aos fiéis que cumprirem as seguintes condições: realizar a confissão sacramental, comungar no dia da festa e rezar pelas intenções do Santo Padre com as orações do Pai Nosso, da Ave Maria e do Credo.

A “Apóstola da Divina Misericórdia”, Santa Faustina, foi beatificada em 18 de abril de 1993, por São João Paulo II, e canonizada também pelo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.

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Que a mensagem da divina misericórdia, cuja festa celebramos hoje, nos estimule a viver em constante, serena e ativa vigilância, esperando o grande dia do nosso encontro definitivo com Nosso Senhor Jesus Cristo.

“…aguardemos, com confiança, como Vossos filhos, a Vossa vinda última, dia que somente Vós conheceis.” (Santa Faustina)

Formação Shalom

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