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06/03/2019

Era Netflix – O homem atuando como ser dominante ou dominado?

“O homem não foi feito para ser escravo, mas para dominar sobre a criação”

(Jacques Philippe).

O livro do Gênesis relata que Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança, e que os colocou acima de todos os animais, colocou toda a Sua obra sob domínio do homem. E mais: Deus deu ao homem o livre arbítrio, deu-lhe o poder de escolher isto ou aquilo, inclusive de corresponder ou não ao amor de Seu criador.

A liberdade é algo que está na essência do ser humano. No entanto, esse homem que busca ser cada dia mais livre ou isento de limites, encontra-se cada vez mais cativo das suas próprias invenções.

Dentro da imensa gama de bens de consumo criados pelo homem, gostaria de me deter, nesse momento, na Era Netflix. Você faz uso da Netflix? A princípio, não há mal nenhum no seu uso, mas pode tornar-se perigoso o usufruir desmedido.

Provavelmente você conhece alguém que já fez maratonas de filmes ou séries, horas a fio imerso num mundo fictício. Essa utilização desregrada é que traz algumas consequências para a nossa vida. A primeira delas é a inversão de papéis entre o ser humano e a sua invenção, passando a obra prima de Deus a ser dominada pela criação, e não mais dominante, como na origem, faltando-lhe o autodomínio, tornando-se incapaz de se desligar daquele mundo fictício e envolver-se no seu mundo real.

A segunda, reflexo da consequência anterior, é uma desordem interior e exterior. Uma vez que somos chamados a ter uma vida de oração, ou seja, em meio às atividades do nosso cotidiano ter o nosso coração elevado a Deus, essa busca de Deus finda por ser afetada, pois nossos sentidos, bem como nossa imaginação e memória, se encontram como que aprisionados aos conteúdos assistidos. E se não temos sintonia com Deus, naturalmente, passamos a ser movidos pelas nossas paixões.

A terceira consequência é uma perca de tempo de qualidade nas nossas relações afetivas, seja de amizade, família, namoro, matrimônio, etc. Quanto maior o tempo e a energia investidos em tramas fictícios, mais fragilizadas serão as nossas reações afetivas. Há aqui também uma inversão de valores, o “amor” às coisas em detrimento do amor ao outro. A falta de interesse de ser presente na vida do outro e de permitir que o outro se faça presente na nossa vida.

Então, como não cair nesse abismo de desordem? O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1809, menciona qual virtude demos cultivar para encontrar esse equilíbrio:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade”.

Se ao assistirmos determinada série não conseguimos nos impor um limite, se percebemos que o tempo que gastamos na frente da tela tem afetado nossa relação com Deus, com nós mesmos e com o próximo, isto indica que nos falta a virtude da temperança. Por isso, peçamos ao Senhor essa virtude, para que não nos deixemos conduzir pelas nossas paixões, mas, exclusivamente, pelo Espírito Santo de Deus. É isso! Que Deus lhes abençoe e Maria lhes guarde!

Erilene Silva

Noviça na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Icó

3 Comentários
  1. Maria Nunes disse:

    Uma artigo maravilhoso parabéns !
    Compartilhando esse conteúdo.

  2. Karla disse:

    Muito bom,esse artigo !

  3. Karolyne Araújo do Nascimento Silva disse:

    Edificante irmã! Muito do que eu li no livro sobre a virtude da Ordem! Obrigada Leninha!

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