29/07/2018

Correndo por uma taça imperecível

por Gessé da Silva Cosmo

Na época de São Paulo existiam os jogos olímpicos e eu penso que assim como nós hoje ele também assistia àquelas competições e vibrava, observava, extraía o que era bom daquilo, sem deixar de ver as imperfeições que existiam.

Entre dribles, passes, chutes e gols se passam histórias, gerações e uma emoção que une povos diante de um espetáculo chamado futebol. Para nós brasileiros a atenção redobra, pois esperamos sempre mais de nossa seleção pentacampeã. Neste ano de 2018 infelizmente não foi nossa vez, mas fizemos um bom jogo (pelo menos melhor que a derrota de 7 a 1 para a Alemanha em 2014).

No entanto, quero refletir contigo, querido leitor, sobre o que podemos trazer de aprendizado do futebol para a nossa vida cristã. O que deve ser este jogo para nós o Papa Francisco já nos ensinou: “Possa esta importante manifestação esportiva se tornar ocasião de encontro, de diálogo e de fraternidade entre as culturas e religiões diversas, favorecendo a solidariedade e a paz entre as nações”.

O futebol é um jogo onde entra em combate dois times e vence aquele que está mais bem preparado. Como cristãos estamos em um combate contra o inimigo de Deus e contra nossa própria concupiscência e se não nos preparamos o bastante, por meio da vigilância e da oração, acabamos sendo cruelmente goleados. Há jogos que permitem a partida se encerrar em empate, porém há outros que chamam uma prorrogação, uma chance ainda de virar, e por último se persistir igual para igual vem os pênaltis, e daí só restará um time vencedor. Deus nos dá várias oportunidades para vivermos a Sua vontade, e nós não podemos deixar chegar aos pênaltis da vida para nos convertermos, pois as vezes pode ser tarde demais…

Quando estamos perdendo durante o jogo é preciso cair na real e perceber que ainda há tempo. Nesta copa refleti muito sobre isso. Haviam times que viravam o destino da partida e venciam; outros marcavam gols nos acréscimos; e ainda outros que mesmo cientes da derrota lutavam incansavelmente com raça. Para sermos santos é preciso este ardor no coração, esta “raça” de mesmo as vezes caindo no pecado erguer-se, respirar fundo e dizer: em Cristo sou vencedor!

Nas arquibancadas há uma multidão torcendo por você, e outra multidão querendo o seu fim. Todos os santos estão lá, desejando ardentemente que você alcance a vitória final no Reino dos Céus enquanto Lucifer e ser anjos maus desejam você lá no inferno.

É preciso ter bons jogadores no ataque, nas laterais, no meio do campo, na zaga e um bom goleiro. Mas eles não agem sozinhos, pois sem um bom treinador e técnico o time já era! Deus nos escolhe, nos “selecionou” um por um, com amor e tenha certeza que Ele confia em você! Ele te treina, te capacita, te leva à vitória! Porém, Ele não joga por você. No campo é você e o adversário. Deus está ali te dando as coordenadas, mas ali é teu momento. É teu momento de atacar e defender.

Há um tempo e um espaço onde se desenrola todo o contexto. Há também o momento entre o primeiro tempo e o segundo onde os jogadores se retiram. Nós também precisamos uma vez ou outra nos retirarmos para refletirmos melhor como estamos vivendo o combate da vida, e se estivermos perdendo a batalha temos aí uma nova chance de virar a partida. Em determinadas batalhas perderemos e as derrotas devem ser momentos fecundos de reflexão para em jogos futuros vencermos. Vamos em frente à luta!

O que leva porém à vitória no futebol é a “bola na rede” e existem gols de vários tipos, bonitos e feios, de bola rolando ou parada, de pé ou de cabeça (ou até de mão né, Maradona! Kkk), de voleio ou de bicicleta. Assim existem santos que entraram no céu de várias formas. Não adianta um excelente jogo e posse de bola se acabamos levando gols e perdendo, não adianta ser cumpridores de regras, santos aos olhos do mundo e ser grandes pecadores aos olhos de Deus. Mesmo que não joguemos lá estas coisas e não consigamos ser “Os santos” que sejamos pelo menos aquilo que Deus quer de nós, que façamos o máximo que pudermos e sejamos sinceros com Deus o amando e amando o nosso próximo verdadeiramente, assim chegaremos ao Céu.

Ao invés de nós, humanidade, vivermos em guerras, em lutas uns contra os outros, assassinatos e outras coisas semelhantes empregássemos nossas energias em uma batalha esportiva como o futebol onde após a vitória de um e a derrota de outro não há sangue derramado, há vidas, que podem marcar outros jogos e empregarem suas energias em algo que reúne povos e favorece a fraternidade.

Não estou dizendo que o futebol é um jogo santo, que as pessoas que estão lá se amam plenamente e que não há confusões. Eu seria muito ingênuo se achasse isso. Há pessoas ali que ganham muito dinheiro que poderia ser empregado em outros setores mais urgentes da humanidade, onde há muita gente passando fome, doente e morrendo por aí. Há conflitos e até mortes em jogos. Porém, o que quero neste artigo é ter este olhar sobre o jogo em si e seus ensinamentos, principalmente neste combate que vivemos em nossa vida a todo instante. Nosso combate cristão não tem intervalo, não tem 90 minutos, é indeterminado. Sabemos que um dia nosso tempo irá acabar, mas não temos ideia de quando isto ocorrerá.

Por fim, trago uma palavra importante para nós. Na época de São Paulo existiam os jogos olímpicos e eu penso que assim como nós hoje ele também assistia àquelas competições e vibrava, observava, extraía o que era bom daquilo, sem deixar de ver as imperfeições que existiam. E o ensinamento que ele nos traz é o que eu cito a seguir concluindo esta nossa reflexão:

“Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (1Cor 9, 24-27)

Lutemos por esta vitória, aliás, ela já está conquistada por Cristo para nós, Nele somos mais que vencedores! Aqui vai meus parabéns à França pela vitória e à Croácia por não ter desistido de acreditar! Eles ganharam seus prêmios, lutemos pelo nosso, irmãos, lutemos pelo Céu!

Gessé da Silva Cosmo

Consagrado na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Pedra Branca

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