26/04/2016

Conversão é caminho de felicidade e vida plena

por Padre Raniero Cantalamessa Arquivo Shalom

O mais importante em toda conversão não é o ponto de partida, mas o ponto de chegada. Lamentavelmente, quando se fala de conversão, o pensamento se dirige instintivamente ao que se deixa: o pecado, uma vida desordenada, o ateísmo… Mas isso é o efeito, não a causa da conversão. Como acontece uma conversão é perfeitamente […]

O mais importante em toda conversão não é o ponto de partida, mas o ponto de chegada. Lamentavelmente, quando se fala de conversão, o pensamento se dirige instintivamente ao que se deixa: o pecado, uma vida desordenada, o ateísmo… Mas isso é o efeito, não a causa da conversão.

Como acontece uma conversão é perfeitamente descrito por Jesus na parábola do tesouro escondido: «O reino dos céus se parece a um tesouro escondido em um campo; um homem o encontra e o esconde de novo; depois vai, cheio de alegria, vende tudo o que tem e compra esse campo». Não se diz: «um homem vendeu tudo que tinha e se pôs a buscar um tesouro escondido». Sabemos como acabam as histórias que começam assim. Perde-se o que se tinha e não se encontra nenhum tesouro. Histórias de ilusões, de visionários. Não: um homem encontrou um tesouro e por isso vendeu tudo o que tinha para adquiri-lo. Em outras palavras: é necessário ter encontrado o tesouro para ter a força e a alegria de vender tudo. Primeiro é preciso ter encontrado Deus; depois se terá a força de vender tudo. E isso será feito «cheios de alegria», como o descobridor do Evangelho. Assim aconteceu no caso da pecadora do Evangelho (Lucas 7,37), e assim também no caso de Francisco de Assis. Ambos encontraram Jesus e é isso o que lhes deu a força de mudar.

Eu disse que o ponto de partida da pecadora do Evangelho e de Francisco era diferente, mas talvez isso não seja exato. Era diferente em aparência, no exterior, mas em profundidade era o mesmo. A mulher e Francisco, como todos nós, estavam em busca da felicidade e percebiam que a vida que levavam não os fazia felizes, deixava uma insatisfação e um vazio profundo em seus corações.

Eu li esses dias a história de um famoso convertido do século XIX, Hermann Cohen, um músico brilhante, idolatrado como menino prodígio de seu tempo nos salões da Europa. Uma espécie de jovem Francisco em versão moderna. Depois de sua conversão, escrevia a um amigo: «Busquei a felicidade por todas as partes: na elegante vida dos salões, na ensurdecedora bagunça de bailes e festas, no acúmulo de dinheiro, na excitação dos jogos da sorte, na glória artística, na amizade de personagens famosos, no prazer dos sentidos. Agora encontrei a felicidade, dela tenho o coração repleto e queria compartilhá-la contigo… Tu dizes: ‘Mas eu não creio em Jesus Cristo’. Eu te respondo: ‘Tampouco eu cria, e é por isso que era infeliz’».

A conversão é o caminho à felicidade e a uma vida plena. Não é algo penoso, mas sumamente gozoso. É a descoberta do tesouro escondido e da pérola preciosa.

Padre Raniero Cantalamessa

Arquivo Shalom

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