08/01/2018

Configurar-se a Cristo não é como configurar um celular

por Mayara Raulino

Certo dia, por conta de problemas no aparelho celular, precisei reconfigurá-lo por completo. Tudo o que havia nele precisou ser apagado e reiniciar todo o processo. Em cada detalhe podia “moldar” o aparelho para o meu gosto, minha preferência, de acordo com minhas necessidades. Com ajuda do manual, adaptei o idioma, o sensor de toque, […]

Certo dia, por conta de problemas no aparelho celular, precisei reconfigurá-lo por completo. Tudo o que havia nele precisou ser apagado e reiniciar todo o processo. Em cada detalhe podia “moldar” o aparelho para o meu gosto, minha preferência, de acordo com minhas necessidades. Com ajuda do manual, adaptei o idioma, o sensor de toque, a música e o volume das notificações, o plano de fundo e aplicativos. Tudo isso era feito com certa rapidez e simplicidade.

Até que me veio o pensamento: “que bom seria se minha configuração a Cristo fosse tão simples”. Aumentar as virtudes do amor, da caridade, da compaixão, da fé e da esperança. Diminuir os ruídos que tentam confundir a voz de Deus. Ouvir mais, falar menos. Controlar a língua afiada. Zerar a vaidade e o orgulho. Colocar em 100% o sair de mim. Um “plano de frente” que expressasse sempre amor. Mais Dele, menos de mim.

Ao mesmo tempo, se eu desejasse tal facilidade no método de configuração a Cristo, estaria proporcionalmente me desconfigurando a Ele. Se como Ele quero e devo ser, com Ele devo abraçar tudo o que abraçou, sentir o que sentia, amar como amou e como ama, indo às periferias existenciais, extinguindo os muros da indiferença, lutando contra a própria vontade e aderindo incondicionalmente a vontade do Pai.

Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30).

Essa conformação exige tudo de nós e seria impossível vivê-la sem o auxílio do Espírito, o “software divino”, como denominou o Papa Francisco aos jovens na sua viagem a Bangladesh.“A nossa vida não é uma vida sem direção; tem um objetivo, um objetivo que nos foi dado por Deus. Ele guia-nos, orientando-nos com a sua graça. É como se tivesse colocado dentro de nós um software, que nos ajuda a discernir o seu programa divino e a responder-lhe livremente. Mas, como qualquer software, também este precisa de ser constantemente atualizado. Mantende atualizado o vosso programa, prestando ouvidos ao Senhor e aceitando o desafio de fazer a sua vontade”, disse Francisco.

De fato, com o simples querer de Deus, poderíamos ser totalmente configurados ao Filho, mas Ele nos deu a total liberdade de escolhermos ser ou não como Ele, e isso é amor. A liberdade que Deus nos apresenta deixa totalmente em nossas mãos a capacidade de nos moldarmos ao que Ele sonha de nós. O Manual e O exemplo perfeito já temos, cabe buscarmos a intimidade perfeita, com paciência e esperança de que, antes que nós O busquemos, Ele já nos espera.


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