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10/06/2019

Como ser fecundo na vida cristã

Hoje refletiremos acerca de um texto muito significativo das Sagradas Escrituras, que nos indica uma temática muito marcante acerca da vida cristã frutífera. Tomaremos o texto do Evangelho, Mateus 21,18-22, que narra acerca da figueira amaldiçoada. Árvore estéril Era muito comum no Antigo Testamento comparar o povo infiel a uma árvore estéril, onde ser cortado […]

Hoje refletiremos acerca de um texto muito significativo das Sagradas Escrituras, que nos indica uma temática muito marcante acerca da vida cristã frutífera. Tomaremos o texto do Evangelho, Mateus 21,18-22, que narra acerca da figueira amaldiçoada.

Árvore estéril

Era muito comum no Antigo Testamento comparar o povo infiel a uma árvore estéril, onde ser cortado significava ser rejeitado por Deus. Em Lucas 13,6-9, diante de uma figueira que não produziu frutos, o agricultor faz uma extrema tentativa, esperar ainda um ano, mas com o propósito de cortá-la, se suas esperanças porém, de novo, frustradas.

Essa constitui uma denúncia contra a incredulidade, e consequentemente, uma forte ameaça de condenação. Na sequência, Jesus trata da fé capaz de qualquer milagre e da oração confiante. Com isso, o relato da maldição da figueira revela-nos o poder extraordinário da fé e da súplica. É preciso crer com firmeza e suplicar com abandono confiante. Miquéias vai identificar os frutos com homens leais e honrados (Mq. 7, 1-2). A falha aqui se encontra no fato da não produção do fruto esperado.

A figueira representa o povo de Israel incrédulo, que tem folhagem de aparências e não dá frutos. A fecundidade precisa ser autêntica e não aparente. Sem desculpas ou justificativas, mas com a verdade da vida.

Perante o gesto de Jesus com a figueira, pode-se pensar que Jesus exagerou, sobretudo quando nos voltamos para a narração do Evangelho de Marcos (Mc. 11, 12-14; 20-26), que afirma que não era tempo de figos. Surgem disso algumas possibilidades: poderia não ser tempo de figos; estando a figueira a beira do caminho, talvez, outros se tivessem adiantado, colhido ou comido os frutos; talvez, o dono tivesse colhido os frutos no dia anterior. Poderíamos enumerar uma série de desculpas para a figueira sem frutos.

Frutos permanentes na vida cristã

A mensagem evangélica, se fundamenta no fato de que não existem desculpas para não ter frutos. O fruto não deve ser de temporada, mas permanente; não escasso, mas abundante; não para alguns, mas para todos e quando precisarem; não deve depender da estação, mas da necessidade dos outros. Outras árvores tem seu valor pelas flores, madeira, etc. A figueira, só tem valor dando frutos, caso contrário, para nada serve. Fomos criados para frutificar, as flores servem como sinal que aponta para os frutos.

Realizar uma avaliação da vida cristã a partir dessa verdade do evangelho, nos ajuda certamente a viver um cristianismo valoroso e frutífero. Onde refletimos um cristianismo: não de temporada, mas permanente no amor; não escasso, mas abundante; não de exclusividades, mas para todos os necessitados; não de aparências, mas de frutos verdadeiros.

No âmbito agrícola conhecemos a prática da poda, cujo significado, dentro de diversas perspectivas, sabemos muito bem: a poda tem por função o crescimento, o desenvolvimento da planta, sua fecundidade. A luz do nosso texto evangélico, também devemos identificar a poda dentro dessa perspectiva, onde o ramo frutífero é podado e o estéril queimado.

O que Jesus fez com a figueira foi colocar a sua maldição interior, sua secura, para fora. Nunca mais enganes a ninguém com tua aparência frondosa nas folhas, e ao mesmo tempo, vazia nos frutos. Na verdade, a figueira já estava maldita e seca no seu interior. Portanto, devemos entender e refletir que a mera aparência é maldição, uma secura oculta ou sustentação de inverdades.

A importância da poda na vida cristã

Concluímos que todo aquele, que não quer ser podado, revela na verdade uma indisposição ao dinamismo e ao crescimento na vida cristã. Quanto mais a árvore é podada na coerência das suas necessidades, mais ela cresce. Infelizmente, contemplamos na atualidade um extremo interesse de muitos em apenas florescer, destacar-se, para subir os degraus da glória e poder. Em vez de serem verdadeiramente focados, na missão de crescer, amadurecer e desenvolver para frutificar. Ou seja, ser uma presença de serviço frutífera e edificante no seio da Igreja.

Sem dúvida, podemos afirmar que é entristecedor contemplar a grande preocupação vigente com os êxitos das flores que aparecem, do que com os frutos que não precisam de presunção, pois, eles se revelam por si mesmos. O fruto não é algo forçado, que necessite de propaganda barata, mas algo natural e espontâneo, numa árvore frutífera.

Na vida cristã é necessário sempre aceitar as podas para crescer num novo vigor, quem rejeita a poda, seca e definha, ou seja, morre. Quando um cacho de uva, por exemplo, está muito carregado, o vinhateiro experiente se aproxima e corta alguns galhos, gesto que produz a perda de alguns frutos, para que os frutos restantes tenham mais espaço para se desenvolver e crescer. Sacrifica-se a quantidade em favor da qualidade.

O cacho ideal não é o que tem muitas uvas, mas é aquele que não passa de setenta e dois. A poda revela-se como uma purificação, para que não se viva uma enganação, pois, não basta ter fruto, o essencial é ter bom fruto, fruto de qualidade. Quanto maior for a vocação da árvore, maior deve ser a raiz que a sustenta. Que essa reflexão possa ajudar muitos irmãos e irmãs a retomarem o foco do frutificar como essencial, como também, tornem-se dóceis as podas, tão necessárias para os que anseiam pela fecundidade de raízes profundas.

Padre Eliano Luiz Gonçalves.
Vice Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe dos Sacerdotes.

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