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23/11/2018

As novas comunidades e a missão de ser santos de calças jeans

Exercem forte encanto e envolvimento dos jovens, pois despertam nos mesmos o desejo de também desafiarem-se por uma boa causa: a causa do Evangelho, em vista da construção da santidade, nas suas realidades próprias, colocando em prática a proposta de São João Paulo II: “ser santos de calças jeans, sem véu ou batina!

A evangelização das novas gerações e da atual geração de jovens do Terceiro Milênio necessita ser repensada, reconhecendo a necessidade de se propor novos meios, jeitos e lugares para que a juventude possa ser acolhida, amada e evangelizada. A história sempre nos dá sinais de que o Espírito Santo suscita no tempo certo um novo jeito de ser Igreja e, para responder às inquietudes da juventude, suscitou por meio das Novas Comunidades um novo Pentecostes com Sua força e Seus dons, para que se renovem tudo e todos aqueles que se deixarem moldar pelo novo de Deus.

 

“Sem as estruturas não há continuidade no tempo, e a mensagem original morre. A Igreja é a presença viva do Cristo atuante na história. Sem a Igreja, não estaria viva a mensagem de Jesus hoje e não teríamos os Evangelhos. Através da Igreja, uma geração de crentes passa a sua fé à seguinte. Por outro lado, as estruturas se desgastam com o tempo, dificultando a compreensão da Boa Nova, que está em sua origem. Por isso, há necessidade de renovação contínua. Um caminho importante para despertar nos jovens o amor pela Igreja e o sentido de pertença a ela é a referência às experiências das primeiras Comunidades dos Atos dos Apóstolos, para concretizar hoje a vida eclesial que nasceu do derramamento do Espírito no Pentecostes, na qual resplandecia a oração, a fidelidade à Palavra, a partilha dos bens e a Eucaristia – fração do Pão” (CNBB, 2007; p. 50, Doc. 85, 71).

 

As Novas Comunidades nascem de uma intervenção de Deus no meio do povo, com o intuito de renovar e ser resposta à uma necessidade específica para uma Igreja particular ou universal. Com suas formas peculiares de vida comunitária, exercem forte encanto e envolvimento dos jovens, pois despertam nos mesmos o desejo de também desafiarem-se por uma boa causa: a causa do Evangelho, em vista da construção da santidade, nas suas realidades próprias, colocando em prática a proposta de São João Paulo II: “ser santos de calças jeans, sem véu ou batina!”.

São os jovens que, com maior presteza e radicalidade, acolhem a proposta pedagógica-espiritual das Novas Comunidades. A linguagem utilizada, a valorização da cultura jovem, a escuta dos anseios dos jovens, a troca de experiências, a aproximação dos problemas humanos aos seus, o conhecimento do mundo midiático com seus efeitos positivos e negativos, são os principais motivos pelos quais existe uma quantidade tão grande de jovens no interior dos grupos das novas comunidades.

A proposta da radicalidade de vida, as experiências missionárias, a autoridade como serviço, a acolhida e o incentivo do protagonismo jovem, tem motivado as novas gerações a se decidirem alegremente por esses espaços de vivência cristã. A capacidade de convocação, de encanto e de envolvimento dessas novas expressões é uma bênção para a atividade missionária, mas pede dela constante reflexão para que tudo se faça para alcançar a finalidade proposta.

 

“Acompanhar os jovens exige sair dos próprios esquemas pré-confeccionados, encontrando-os ali onde estão, adequando-se aos seus tempos e aos seus ritmos; significa também leva-los a sério em seu esforço para decifrar a realidade em que vivem e para transformar um anuncio recebido em gestos e palavras, no esforço cotidiano para construir a própria história e na busca mais ou menos consciente de um sentido para as suas vidas. Interpelar a liberdade dos jovens, é preciso valorizar a criatividade de cada comunidade para construir propostas capazes de interceptar a originalidade de cada um e ajudá-los em seu desenvolvimento” (FRANCISCO, 2017, p. 50).

 

Dentre os muitos estudos, formações, celebrações, retiros e eventos que as Novas Comunidades promovem com os jovens estão temáticas tais como a centralidade em Jesus Cristo, a participação eclesial e o compromisso com a melhoria da sociedade. Em tudo isso, desenvolvem e trabalham periodicamente e de forma bastante pedagógica a construção do projeto pessoal de vida de cada jovem para uma identificação com o Mestre Jesus. Intenciona ser instrumento eficaz para que o jovem descubra o valor de contribuir com a qualidade da vida pessoal e de outros irmãos, empenhados em formar-se como cidadãos cristãos em um tempo de crise. Dentre inúmeras atividades, tais movimentos motivam e promovem trabalhos sociais voluntários.

O jovem não deseja uma Igreja passiva frente aos seus anseios, mas uma Casa onde possa achegar-se e dela receber acolhida e motivos para nela permanecer. Convivendo e sendo parte do processo, recebendo o grande tesouro que a Igreja possui, deseja também promover o anúncio deste grande bem a outros tantos que ainda não encontraram tal tesouro. Nas Novas Comunidades, a juventude encontra abertura e pessoas que apostam tempo, formação e oração para que os eles, também, possam sem medo, servir a Igreja em nome de Jesus.

 

Antonio Durval de Almeida Viana Filho

Seminarista de Teologia na Diocese de Quixadá

Consagrado na Dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

 

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