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16/06/2020

Antônio, o servo de Deus

Quando olhamos para a vida dos santos, vemos que suas vidas são como um rio de águas límpidas que transparecem a Santidade de Deus.

“Quando os poderosos da sua época estavam em falta, ele dirigia-lhes tão francas admoestações, que célebres pregadores, ouvindo-o, tremiam de tanta coragem e firmeza, chegando a tapar o rosto com as mãos para disfarçar o rubor que a fraqueza de cada um lhes fazia subir às faces. Era um outro Elias inflamado em zelo da glória de Deus”.

Como esse, há tantos outros relatos que narram a santidade do homem de Deus, Santo Antônio de Pádua!

No dia bem-aventurado da Assunção de Maria, 15 de agosto de 1195, nascia em Lisboa aquele que seria um dos maiores santos do seu tempo. Seu nome de batismo: Fernando de Bulhões. De linhagem real, mas com o coração atraído a uma vida austera e de entrega ao Deus crucificado.

Ainda muito jovem entrou para a Ordem dos Filhos de Santo Agostinho, onde mais ainda era mergulhado na Luz Divina. Lá, o bem-aventurado crescia em idade e em virtude, até que um desígnio de Deus veio a se revelar quando Fernando, favorecido de uma visão, vê que a alma de um religioso franciscano que acabava de expirar em um asilo vizinho de Coimbra subiu ao céu, levada numa nuvem de claridade. Isto foi para ele um sinal de algo novo que estava por vir. Esta visão refrigerou a sua alma consumida por um profundo desejo de viver a pobreza e o martírio – este não foi atendido pelo Senhor.

Algum tempo depois, não sei ao certo quanto tempo, Fernando deixa o hábito de Santo Agostinho para tomar o hábito de Francisco de Assis; deixando também o nome de batismo para tomar o nome irmão Antônio.

A humildade era uma de suas maiores virtudes. Por muito tempo, Antônio viveu como um simples irmão entre os irmãos; até que um dia, a Divina Providência encarregou-se de revelar a abundância da graça que habitava em seu servo. Resumirei a narrativa desse belíssimo acontecimento que foi onde Antônio iniciou o apostolado da pregação.

Antônio estava na companhia de seus irmãos frades e de vários religiosos da ordem de São Domingos, diante do Bispo local para receberem as ordens sacras − era de costume do Bispo, antes da ordenação, dirigir uma exortação aos jovens clérigos, para lhes fazer compreender a seriedade do passo que iam dar. Nesse dia, o Bispo convidou o guardião da ordem dos Franciscanos para realizar o discurso; estando o guardião impedido de realizá-lo – não se sabe o motivo −, resolveu apelar para os irmãos dominicanos, mas sem sucesso. Também não obteve êxito junto aos seus irmãos, uma vez que não podia ele, impor aos seus irmãos, um encargo que estivesse além de suas forças. O Espírito Santo, então, veio em socorro do guardião, que se virou para Antônio, como que de súbito, mandando-o em nome da santa obediência que se erguesse e falasse aos irmãos ordenados. Antônio, tomado de surpresa, por um momento entrou em batalha consigo mesmo. A desconfiança de suas próprias forças era, pois, a razão de suas hesitações. Mas, recebendo a benção do bispo e rogando interiormente a Deus que suprisse a sua insuficiência,  o servo de Deus estreou o ministério da pregação, tomando por texto do seu discurso as palavras do Apóstolo Paulo: “O Cristo fez-se obediente por nós até a morte”; texto que se aplicava à situação ele mesmo vivia naquele momento.

Animado do temor de Deus, expressou-se, a princípio, com simplicidade, e, à medida que desenvolvia o assunto, empregou uma linguagem tão brilhante que mergulhou seu auditório em admiração pela eloquência e pela caridade que saíam de sua boca. Todos afirmavam nunca ter ouvido coisa igual. Iniciava-se aqui a grandiosa missão do servo de Deus.

A eloquência de sua pregação, a caridade ardente com que acolhia, em suas confissões, os pecadores arrependidos, a firmeza e a sabedoria com que combatia as heresias surgidas em sua época, tornaram-no conhecido e amado pelas multidões que não mediam esforços ouvi-lo e para suplicar a ele por suas necessidades. Tantas foram as conversões e milagres de todas as ordens que, um mês apenas decorrido da sua morte ­– em 13 de junho de 1231−, o clero e o povo já pediam sua canonização, que veio a se concretizar em 30 de maio do ano seguinte − um fato sem precedentes na história da Igreja.

Decorridos trinta e dois anos da sua morte, foi realizada a primeira transladação do seu corpo, e mais um extraordinário milagre se revela: verificou-se que todas as carnes do santo haviam sido consumidas, mas a sua língua estava tão fresca e tão bela, como se o bem aventurado Antônio estivesse morrido uma hora antes.

Quando olhamos para a vida dos santos, vemos que suas vidas são como um rio de águas límpidas que transparecem a Santidade de Deus.

Santo Antônio de Pádua, rogai por nós!

Erilene Silva

Noviça na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Icó

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