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15/09/2020

A Virgem das Dores

Mulher de forte personalidade, esteve sempre ao lado de seu Filho, até mesmo no momento em que os Seus próprios amigos fugiram diante do medo.

A VIRGEM DOLOROSA

O “sim” dado por Maria caracterizou uma profunda abertura de seu ser para com a vontade do seu Senhor. Na verdade, o que estava por trás do “sim” que foi dado era bem maior do que ela mesma, tomaria todo o íntimo de sua vida na consumação do serviço que lhe fora confiado. O que nos encanta em Maria é justamente a confiança inabalável que ela teve no projeto de Deus, mesmo que isto lhe custasse o sofrimento e a dor.

A valentia de uma mulher frente às dores do Filho mostra-nos a fortaleza em que devemos nos apoiar nos momentos de fraqueza e de desolação da alma, pois foi ela quem, ao ser penetrada pelas espadas de dores, permaneceu firme. Desde a profecia do velho Simeão (Lc 2, 34-35)  até sepultarem seu Filho no sepulcro (Jo 19, 41-42), permaneceu de pé (Jo 19, 25), talvez atribulada, mas silenciosa diante da vontade de Deus, consciente de que a missão de seu Filho deveria ser consumada, como forma de uma última e definitiva aliança de Deus para com o Seu povo.

Estava presente na via crucis vestida de dor e silêncio, que não era de ausência, mas de profunda meditação do grandioso mistério ali sendo realizado, não se dobrou frente ao sofrimento e humilhação aos quais o seu Filho passava, observando atenta cada gesto dEle, aprendendo com o seu Deus a profundidade de Seu amor pelos homens (Jo 3, 16), observando até que ponto Ele poderia chegar para nos provar o Seu amor, mesmo sendo pecadores e negligentes (Rm 5, 8).

Mulher de forte personalidade, esteve sempre ao lado de seu Filho, até mesmo no momento em que os Seus próprios amigos fugiram diante do medo. De pé, nos mostra que o consentimento para com a vontade do Pai deve ser bem maior que as nossas fraquezas e aspirações humanas, por isso a persistência de permanecer erguida ao lado do sofrimento de seu Filho, como no encontro que tiveram no caminho do calvário. Palavras não eram necessárias para expressar o sofrimento daquela Mãe por vê-Lo daquele jeito, mas, apenas ao olhar para Ele, e, da mesma forma, Ele para ela, transmitiu o amor que sente.

Foi diante do sofrimento que Maria nos foi entregue como Mãe, em uma situação que exprimia a sua missão daquele momento em diante, pois a sua presença, naquele instante, para Jesus era sinônimo de consolo e fortaleza, e assim deveria ser para todos aqueles que lhe foram confiados: “Filho, eis ai a tua Mãe!” (Jo 19, 26). Nas dores, foi sinal de Salvação para o velho Simeão, nas dores, mostrou-se forte, sendo tomada como exemplo pelos apóstolos, que abandonaram Jesus, e como fortaleza às mulheres piedosas que a acompanhavam.

Maria, Senhora atingida pelas dores e humilhações de seus filhos, ensina-nos a reconhecer a virtude da Cruz, ensina-nos a reconhecer que sem ela não há Salvação! Amém!

Que Deus os abençoe e Maria os guarde!

 

Cícero Cladson

Seminarista na diocese de Crato/CE

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