18/02/2016

A Esmola

por D. Pedro José Conti

A esmola é o primeiro passo da caridade e da partilha. Significa propriamente dar, doar algo – dinheiro ou bens – a quem está precisando. Dar esmola é um gesto profundamente educativo e libertador para todos nós. Isto porque, de imediato, somos obrigados a confiar naquele que nos pede ajuda. Quantas vezes temos medo de […]

A esmola é o primeiro passo da caridade e da partilha. Significa propriamente dar, doar algo – dinheiro ou bens – a quem está precisando. Dar esmola é um gesto profundamente educativo e libertador para todos nós. Isto porque, de imediato, somos obrigados a confiar naquele que nos pede ajuda. Quantas vezes temos medo de ser enganados ou de dar a quem não tem necessidade, convencidos de que os verdadeiros pobres, muitas vezes, são tão humildes e vergonhosos da sua pobreza que nem querem pedir. Se resolvemos fazer a doação é porque ficamos convencidos de que aquele nosso irmão ou irmã está precisando. Bom sinal, já estamos saindo do nosso egoísmo. Outro passo é que para dar algo devemos nos privar daquilo. Precisamos reconhecer que temos mais do que o outro que pede. É a partilha. O que tenho, pode ser fruto do meu esforço, do meu trabalho, mas é também dom de DEUS. Se reconheço isso, por que não repartir, ao menos um pouco, com quem naquele momento está com mais dificuldade? Também é bom colocar que a esmola, dada de coração, não depende da quantidade, mas, justamente da generosidade e do desprendimento. É só lembrar a lição que Jesus deu aos discípulos, quando se admiravam do dinheiro que os ricos colocavam no tesouro do templo. Naquele momento, Jesus disse que a viúva, que havia colocado as duas insignificantes moedinhas, na realidade tinha dado mais do que todos os outros, porque tinha dado do seu necessário e não das sobras da sua riqueza (cfr. Mc 12,41-44). Mais uma vez vale a intenção, o nosso sacrifício, a nossa boa vontade. Mas não basta.

A esmola, insisto, é só o primeiro passo para algo mais importante e bem mais valioso e difícil. É o início de um caminho ou a primeira pedra de um novo projeto. Deveríamos chegar a não ter pobres. Deveríamos aprender a partilhar sempre, não somente quando alguém nos pede. Esse é o grande projeto do amor de Deus com a humanidade. O que dizia o livro do Deuteronômio 15,4: “para que não haja pobres em teu meio”, foi apresentado como experiência modelo nos Atos dos Apóstolos: “entre eles ninguém passava necessidade” (Atos 4,34). Quem sonha ainda com isso nesta sociedade gananciosa e consumista? A tentação de quem pode comprar é achar que os pobres não existam mais e que todos vivam no seu mesmo patamar de gastos. Engano e mentira. Precisamos voltar a exercer a esmola como verdadeira virtude cristã, comprometidos em algo novo e mais transformador. Não vai ser fácil. Já Dom Helder Câmara dizia: “Quando ajudo os pobres me chamam de santo, quando pergunto sobre as causas da pobreza, me chamam de comunista!” Que o pequeno gesto de ajuda, feito de coração, nos ajude a não ter medo de desmascarar as causas da pobreza, incluindo a nossa insensibilidade, como também o nosso egoísmo e a exaltação daquele ídolo que hoje é incensado e desejado de toda e qualquer forma: o deus dinheiro. Que o pequeno gesto nos liberte, ao menos um pouco, de tamanha escravidão.

D. Pedro José Conti

Formação: Setembro/2004

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