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05/10/2018

A Apóstola da Misericórdia

Em seu diário (que já pode ser considerado como um dos clássicos da espiritualidade católica, ao lado de História de uma alma), Santa Faustina escreve sobre a visão de Jesus Misericordioso: “Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. (…) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (D. 47).

No dia 25 de agosto de 1905, na cidade de Glogowiec (Polônia), nasce Helena Kowalska, mais conhecida como Irmã Faustina, futura apóstola da misericórdia.

Assim como Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Faustina sentiu o chamado para a vida religiosa na infância, porém, como não obteve apoio da sua família, que não possuía recursos para lhe dar o dote necessário, pois estavam cheios de dívidas e, acima de tudo, eram muito ligados a ela, procurou silenciar e sufocar o chamado em seu coração tardando o seu ingresso em uma congregação. Foi somente na sua adolescência, quando saiu de casa para trabalhar como empregada doméstica, a fim manter financeiramente a si e ajudar os pais, que Helena voltou a pensar novamente na vida religiosa.

Como o chamado de Deus é único em nossas vidas e Ele não volta atrás, não podia ser diferente com Helena. Estando, um dia, num baile com sua irmã, uma visão de Cristo Sofredor interpela a jovem: “Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?”. Em seguida, Helena rapidamente arruma suas malas e segue batendo em várias portas de congregações, procurando quem a acolhesse. Então, no dia 01 de agosto de 1925 foi acolhida na clausura do convento da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia. Foi tentada a deixar essa comunidade várias vezes, mas Jesus lhe apareceu e exortou: “Chamei-te para este e não para outro lugar e preparei muitas graças para ti”.

Lá, Helena recebeu o hábito e o nome de Irmã Maria Faustina, e, assim como todas as outras irmãs, vivia uma vida de serviços, em que desempenhou de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira; o que a diferenciava das outras irmãs era a sua profunda vida espiritual, marcada pelas graças extraordinárias da contemplação infusa, o conhecimento da misericórdia divina, visões, aspirações, estigmas escondidos, o dom da profecia e discernimento, e o raro dom dos esponsais místicos, fazendo com que futuramente ela entre para o grupo dos notáveis místicos da Igreja.

Depois de atravessar a “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de 22/02/1931, em Plock, o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história– presente em todo o agir divino, particularmente na Cruz Redentora de Cristo – de novas formas de culto e apostolado em prol desta divina misericórdia, tornando-a a apóstola da misericórdia.

Em seu diário (que já pode ser considerado como um dos clássicos da espiritualidade católica, ao lado de História de uma alma), Santa Faustina escreve sobre a visão de Jesus Misericordioso: “Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. (…) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (D. 47).

“A Misericórdia é o maior atributo de Deus” (D. 611), para comprovar essa frase que ela escreve em seu diário, o Senhor lhe pede que difunda a devoção à Misericórdia divina. Revelou-lhe, para isso, um terço ou coroa especial, e pediu a instituição de sua festa litúrgica solene no primeiro domingo depois da Páscoa.

Assim como na vida de Santa Teresinha, Jesus pede também à Santa Faustina que se ofereça como vítima pelos pecadores. Na Quinta-feira Santa de 1934, Jesus lhe revela o seu desejo que se entregue pela conversão dos pecadores. A este desejo, Irmã Faustina respondeu prontamente com um ato de consagração no qual se oferece voluntariamente pelos pecadores.

Nos últimos anos de sua breve vida, aumentaram os seus tormentos interiores e os padecimentos do organismo por conta dos severos jejuns e mortificações. Desenvolve-se uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e os intestinos.

Consumada pela tuberculose, morreu santamente em Cracóvia no dia 5 de outubro de 1938, com a idade de 33 anos. De fato, viveu o que escreveu em seu diário: “Por mim mesma, meu sacrifício não é nada, mas quando o uno ao sacrifício de Jesus Cristo, torna-se onipotente e tem força para aplacar a cólera de Deus”.

Foi canonizada em 30 de abril de 2000, pelo Papa João Paulo II, sendo agora invocada como Santa Maria Faustina do Santíssimo Sacramento.

Iali Nogueira Mendonça

Consagrada na dimensão de Aliança da Comunidade Mariana Boa Semente

Missão Cedro

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