A Disciplina como chave para a liberdade
Nestes tempos hodiernos falar de disciplina como chave para a liberdade, é no mínimo sinal de ingenuidade ou insanidade mental.
Vivemos numa cultura permissiva e libertina, “a regra é não ter regra”, portanto, abrir um discurso falando de disciplina, ordem, regra, etc. É querer ser considerado um retrógrado.
Pode até parecer isso ou aquilo, mas acredito que até mesmo o que é permissivo ou liberto, aí também existe uma “ordem, um disciplina”, bem diferente, mas existe.
Vendo o testemunho de alguns homens que viveram no cárcere presos, como D. Bonhoeffer e Victor Frankl: “Ninguém aprende o segredo da liberdade ( ou sentido da própria existência) a não ser através da disciplina”.
Em outras palavras, ninguém pode ter a ilusão de ser uma pessoa madura, equilibrada, justa, se permite tudo, ou seja, não é auto-disciplinado. E para ser forte e vitorioso é preciso treinar, fazer exercícios. (Quer ser um bom médico, então precisa de disciplina, quer ser um bom jogador, a chave é a disciplina.)
Frankl nos ajuda a entender isso, quando nos fala do sentido da nossa história, não querer rebaixar ou nivelar nossa vida, aos desejos frenéticos e impulsivos. Só a disciplina é que nos possibilita a vida plena, a vida verdadeiramente humana.
Então, usar as próprias energias mentais, volitivas e sentimentais para saborear um novo espaço de liberdade definitivo. A renúncia é fruto e ato de amor pela própria existência.
Agora, se faz necessário tomar consciência das realidades interiores, das raízes do nosso ser que pode, por exigir gratificação imediata, nos levar a uma sensação de libertação, porém, nos tornando mais ainda escravos.
Experimentar deixar de lado certas gratificações, hábitos e compensações, antes queridas e desejadas, consideradas irrenunciáveis, será decisivo e imprescindível para qualquer via de amadurecimento.
Mais não basta dizer não, ou pensar no longo prazo, ou no tempo que vou perder isto ou aquilo, mas no sim que estou dando a vida, a experiência nova do meu Eu, que se tornará possível graças à recusa posta à pretensão instintiva.
Descobrimos que podemos romper com determinados laços e podemos viver bem sem determinadas muletas.
A disciplina nos ensina, e nos faz aprender que precisamos aparentemente de pouco, mas na verdade é o muito que preciso para viver bem e ser livre.