31/10/2018

3 dicas para prevenir o stress no trabalho

por Boa Semente

BURNOUT é um tipo de stress negativo, ligado ao trabalho. Expressão americana que significa =queimar-se. Exaustão devido ao excesso de trabalho, de compromissos e atividades. O Burnout causa no indivíduo exaurimento emocional, uma espécie de despersonalização de si mesmo, e uma redução no âmbito da realização profissional. Seria, digamos, quando chegamos à reta final! Sentimo-nos totalmente […]

BURNOUT é um tipo de stress negativo, ligado ao trabalho. Expressão americana que significa =queimar-se. Exaustão devido ao excesso de trabalho, de compromissos e atividades. O Burnout causa no indivíduo exaurimento emocional, uma espécie de despersonalização de si mesmo, e uma redução no âmbito da realização profissional. Seria, digamos, quando chegamos à reta final! Sentimo-nos totalmente desmotivados, sem prazer e sem sentido no que fazemos, queremos fugir de tudo, ou nos tornamos insuportáveis no nosso ambiente de trabalho.

 É interessante que tenhamos presente que esse tipo de stress, o burnout, é aquele tipo de cansaço tão grande que por exemplo em 15/20 dias de repouso, nada muda, continuamos com os mesmos sintomas. O trabalho se torna de tal maneira insuportável que, repetidamente, dizemos frases como “eu não consigo mais! ”, trazemos uma espécie de contínuo mau humor e irritação, sensação de vazio, de não ter mais o que dar, desilusão e impotência ou, então, reações de fuga e evasão, como já citamos.

Repito, o burnout é o tipo de stress ligado ao trabalho (sua causa originária é no trabalho e também no trabalho esse tipo de stress é desenvolvido). Grosso modo, podemos dizer que é uma maneira errada de se dar! Podemos atribuir a ele alguns fatores de ordem pessoal: a extrema dedicação, perfeccionismo, idealismo, expectativas irreais, vida pessoal não satisfatória, motivações não adequadas, excessivo controle, ansiedade, nevroticismo, personalidade do tipo agressiva e etc. De ordem ambiental: sobrecarga de trabalho, ambiguidade de funções, incompatibilidade entre o que se pede e o que se tem como capacidade para oferecer, rigidez, excessiva burocracia, exclusão nos processos de decisões, limitada autonomia pessoal, pobre qualidade de colaboração no trabalho, comprometimento no relacionamento com superior, não gratificação.

Consequências do burnout

 Os danos, consequência do burnout, não são poucos, vejamos alguns: Falta de entusiasmo, rigidez e inflexibilidade nas opiniões, modo impessoal na comunicação, comportamentos suspeitosos, falta de confiança nos outros, impotência, frieza e cinismo no ambiente de trabalho etc… Do trabalho se vai passando às outras dimensões da vida, ou seja, problemas no âmbito relacional e social, e para nós, que temos vida consagrada (religiosos, missionários, sacerdotes), menor participação nos encontros comunitários, esfriamento na vida fraterna, incoerência nos valores vocacionais e de fé.

É tipo de stress sério! O burnout é um desses males que começam a “entrar na moda”, a tornar-se conhecido pelo senso comum e, por isso, precisamos estar atentos para não nos autodiagnosticarmos. Para um bom diagnóstico, além de checarmos os sintomas de exaustão, existem, ainda, alguns testes necessários à sua comprovação de fato.

Antes de pensarmos em burnout, é necessário averiguarmos bem algumas questões: Qual a origem do esgotamento que estou vivendo? É, de fato, algo ligado ao trabalho? É algo ligado a dinâmica relacional? Aconteceu algo na esfera familiar e afetiva (luto, crise, desilusão afetiva) que amplificam esse esgotamento? Muitos psicólogos confirmam que o fenômeno existe, de fato, na vida religiosa, mas o percentual dos testes afirma que nem sempre é burnout, ou seja, algo ligado ao trabalho, mas são outros fatores que vão se coligando. Então, esse discernimento é importante, porque, dessa maneira, podemos tocar na raiz (causa) de tal “esgotamento” e, dessa forma, cuidar adequadamente.

Leia também:

Existe vida sem stress?

Resiliência não é sinônimo de autossuficiência

Quais pensamentos estão na mente do ansioso?

 03 dicas de prevenção

Segundo o Pe. Pascal Ide (2014), a melhor prevenção ou tratamento a se fazer com as pessoas que vivem o desafio do desgaste e exaustão está na vivência de três dinâmicas, muito simples, às quais ele nomina: aprender a receber, aprender a apropriar-se, aprender a dar. Simples, mas que contribuirão de maneira assertiva ao Sim constante e portador de frutos. Diz respeito, justamente, ao que falamos acima: É necessário alimentarmos nosso Sim, para colocá-lo a serviço dos outros, sem reservas, até o fim.

A capacidade de aprender a receber

Implica dois aspectos: conhecer e aceitar nossos limites e cuidar de si mesmo. Conhecer a si mesmo e aceitar que somos limitados é, realmente, o primeiro passo, pois é partindo de tal constatação que nós veremos que precisamos de ajuda, que somos frágeis e, por isso, precisamos receber, precisamos cuidar do dom que cada um de nós é. Cuidar de si mesmo significa, simplesmente, estarmos atentos às quatro necessidades fundamentais: sono, repouso, alimentação e atividade física.

 Parece bobagem, mas descuidamos muito de tais necessidades e, quando nos damos conta, já estamos estafados, com alterações de peso, sedentários, estressados. Então, é importante que avaliemos essa dimensão e, já aqui, recuperemos o que foi danificado. Vez por outra, pararmos para repousar e recuperar o sono sacrificado. Se vivemos o desafio do stress, é muito comum uma alimentação não equilibrada que, por sua vez, altera nosso metabolismo, diminuindo, assim, nossa capacidade de defesa. Praticar uma atividade física nos permite entrar em contato, de novo, com o nosso corpo, sua fisiologia, além de, naquele momento, nos libertar de pensamentos negativos e obsessivos. A atividade física melhora a qualidade do sono, utiliza a energia acumulada da alimentação, diminui o risco de desenvolver doenças ligadas ao stress crônico (hipertensão, problemas cardiovasculares), e melhora nosso estado psíquico para suportar melhor o stress e as contrariedades.

Como seria importante se, nas nossas casas, levássemos, realmente, a sério o momento do esporte! Temos tantos jovens que poderiam lidar melhor com o stress, simplesmente, aderindo a tais práticas, evitando medicamentos para dormir ou coisas do tipo.

A capacidade de aprender a apropriar-se (tomar posse)

Está justamente, entre o receber e o dar. Seria a capacidade de interiorizar o que recebemos. Recebemos, em nível de saúde, quando cuidamos das nossas necessidades fundamentais, como falamos acima, mas também em tantos outros momentos, como, por exemplo: ao terminarmos uma tarefa de trabalho e ver que tudo andou bem, ou seja, o aspecto de gratificação; após um bom momento de oração- tantas vezes ali somos renovados! Ao sermos elogiados por algo; após um bom momento de partilha, no qual somos enriquecidos… Enfim, são tantos os momentos em que recebemos! Porém, vivemos num ritmo muito acelerado, parecendo que, a todo o momento, temos que dar algo, muitas vezes, sem usufruirmos o que recebemos sem deixarmos aquilo ser solidificado!

 O stress causa, justamente, uma sensação de não ter mais nada. O recuperar-se do stress exigirá de nós esse momento para interiorização, ou seja, tornarmo-nos conscientes de que recebemos algo novo e, por isso, podemos, também, voltar a dar. Torno-me consciente do que tenho e, por isso, dou! Fazer memoria, reconhecer o bem que recebemos isso gera gratidão e, por consequência, generosidade no nosso doar-se. Essa passagem do fazer memória à gratidão, nos permite conservar o dom que recebemos e somos! Alguns estudos (Emmons e McCullough, 2003), fazem-nos ver que tal sentimento de gratidão apresenta muitos efeitos positivos sobre a saúde.

 Digamos que as pessoas gratas são mais ricas: em nível de decisão, mais entusiastas, maior disposição no agir, mais determinadas; no plano afetivo, mais felizes e relaxadas, dão mais rapidamente sentido ao sofrimento; no plano relacional, mais dotadas e sensíveis a ajudar os outros; a nível físico, uma saúde melhor; no plano cognitivo, mais estimuladas e possuem maior criatividade. Enfim, globalmente, são pessoas que gozam de uma sadia autoestima, capazes de integrar frustrações e, por consequência, mais dispostas a viver um caminho vocacional e de doação de si.

 

A capacidade de aprender a se dar

É interessante que o aprender a se dar vem justamente como o cume da vivencia de outros dois processos, o receber e o apropriar-se.  Quando ouvimos no evangelho de Joao, “minha vida ninguém toma, eu a dou livremente”, parece quase ouvirmos, nas entrelinhas dessa frase, toda a força do dom de si de Jesus!  Como é forte quando nos damos com sentido, com responsabilidade, com consciência! É diferente da azáfama, de quando vivo num automatismo de um dar-me estéril. É diferente também do dar-se que, por trás, está cheio de interesses pessoais.

Ao longo da nossa caminhada, o nosso dar-nos tantas vezes vai sendo purificado. Identificar e trabalhar as traças de azáfama e de pura autossatisfação permite que a nossa doação de nós mesmos vá se tornando livre e fecunda. Seguramente, impedir-nos-á de entrar em burnout e, por conseguinte, garante-nos um dar permeado de sabedoria, discernimento e confiança.

Rômulo Oliveira

 

BIBLIOGRAFIA

CREA G. (1994). Stress e burnout negli operatori pastorali. Una ricerca tra i missionari. Bologna: EMI.

EMMONS R. – MCCULLOUGH M. (2003). Counting blessing versus burdens: an experimental investigation of gratitude and subjective well-being in daily life. In Journal of Personality and Social Psychology 84, 377-389.

IDE P. (2015). Le burn-out, une maladie du don. Paris: Quasar.

SCILLIGO P. (2002). La narrazione come fonte di informazione affidabile sul sé. In Psicologia, Psicoterapia e Salute, 8 (2), 81-110.

0 Comentários
Deixe o seu comentário!

Lojinha Boa Semente Faça seu Pedido: (88) 9 9772-3677

Notoris - Agência Digital